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Power to the People: A entrevista perdida de John Lennon

Matéria publicada no site O Marxista-Leninista e levada ao grupo da Beatles College no Facebook pela Isadora ( @isabeatle )

Todos que já leram o Manifesto do Partido Comunista, de Marx e Engels, e já ouviram a música Imagine, de John Lennon, já perceberam que há algumas coisas em comum.
Sendo diretamente inspirada no livro ou não, a música apresenta algumas das teses centrais do comunismo: um mundo em que as pessoas vivam em irmandade, sem nações, sem possessões, sem ganância, sem fome. O mundo todo como um só.
Encontrei em diversos sites na internet uma declaração de John Lennon em que ele diz que sua música é “virtualmente o Manifesto Comunista”. Apesar de ainda não ter confirmado a veracidade de tal afirmação, os pontos de contato entre as duas obras são inequívocos.
Reproduzimos abaixo trechos da última entrevista de John Lennon, concedida em 21 de janeiro de 1971 ao jornal de esquerda The Red Mole (que ele carrega na foto ao lado).
Os recortes que escolhemos para tradução mostram John Lennon falando sobre cultura, violência e tomada do poder pelos trabalhadores.
Representaram o jornal Robin Blackburn (RB) e Tariq Ali (TA). Também foi entrevistada, junto com Lennon (JL), sua inseparável Yoko Ono (YO).
A entrevista completa – em inglês – pode ser lida aqui.
Power to the People: A entrevista perdida de John Lennon de 1971
[…]
RB: Bem, em todo caso, política e cultura estão ligados, não? Digo, os trabalhadores são reprimidos pela cultura, e não pelas armas neste momento…
JL: …eles estão dopados…
RB: E a cultura que os dopa é aquela que os artistas podem criar ou romper com ela…
JL: É isto que estou tentando fazer com meus álbuns e nessas entrevistas. O que estou tentando fazer é influenciar todas as pessoas que posso. Todos aqueles que ainda podem sonhar e que colocam um grande ponto de interrogação em suas mentes…
[…]
Todas as revoluções acontecem quando um Fidel ou Marx ou Lenin ou quem seja, que são intelectuais, são capazes de ir aos trabalhadores. Eles conseguiram organizar uma boa quantidade de pessoas e os trabalhadores pareciam entender que estavam em um Estado opressor. Eles ainda não tinham acordado, eles ainda acreditavam que carros e televisores eram a solução. O que se deve fazer é pegar esses estudantes de esquerda e levá-los aos trabalhadores, vocês tem que pegar esses estudantes e envolvê-los com o The Red Mole.
[…]
TA: Nenhuma classe dominante em toda a história jamais entregou o poder volutariamente, e eu não vejo nenhuma mudança…
[…]
A violência popular contra seus opressores é sempre justificada. Não pode ser evitada.
YO: Mas de certa forma, a música mostrou que as coisas poderiam ser transformadas por novos canais de comunicação.
JL: Sim, mas como eu disse, nada mudou.
YO: Bem, alguma coisa mudou, e para melhor. Só estou dizendo que talvez possamos fazer uma revolução sem violência.
JL: Mas você não pode tomar o poder sem luta…
TA: Isso é o crucial.
JL: Porque quando chega na hora do “vamos ver”, eles não deixarão o povo ter nenhum poder; eles darão todos os direitos para atuar e dançar por eles, mas nenhum poder real…
[…]
TA: Como você pensa que podemos destruir o capitalismo aqui, na Inglaterra, John?
JL: Acho que apenas fazendo os trabalhadores conscientes da infeliz situação em que se encontram, desconstruindo a ilusão que está à sua volta. Eles pensam que estão num país maravilhoso, com liberdade de expressão. Eles tem carros e televisores e não querem pensar que existe algo mais na vida. Estão prontos para deixarem os chefes governá-los, ver suas crianças drogadas na escola. Estão sonhando os sonhos dos outros, não é nem seu próprio sonho. Eles deveriam perceber que os negros e os irlandeses estão sendo atormentados e reprimidos e que eles serão os próximos.
Assim que tiverem consciência disso podemos começar a fazer algo. Os trabalhadores podem tomar o controle. Como Marx disse: “A cada um de acordo com sua necessidade”. Acho que isso funcionaria bem aqui. Mas precisamos nos infiltrar no exército também, porque estão todos bem treinados para nos matar.
Temos que começar tudo isso a partir de onde somos oprimidos. Acho que é falso, vazio, fazer caridade aos outros enquanto sua própria necessidade também é enorme. A idéia não é dar conforto às pessoas, não fazê-las se sentir bem, mas fazê-las se sentir piores, constantemente colocando diante delas as degradações e humilhações pelas quais passam para conseguir aquilo que chamam salário mínimo.
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E você, o que acha da ligação “John Lennon / Comunismo”, sugerida no site?
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Prevejo discussões acaloradas sobre o assunto…
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11 Respostas para “Power to the People: A entrevista perdida de John Lennon

  1. Sueli Prudente

    Em 2011 o comunismo perdeu o ideal.Hoje é ditadura…mas na mente de John significava que a paz e a felicidade deveria ser “comum” a todos…Era isso que ele passava como entendimento sobre Comunismo no meu entendimento.

  2. John era do tipo que queria mudar o que estava errado, e aposto que falavam que ele reclamava de tudo, porque quando você não se conforma de deixar algo errado continuar, as pessaos acham que você está reclamando, quando na verdade só está querendo que seja diferente….

  3. Na verdade, o Comunismo que foi aplicado, seja na URSS, Cuba, China, etc, acabou não seguindo o Comunismo utópico, que foi escrito no Manifesto, esse Comunismo visava sim o que diz a música Imagine, o mundo como um só, sem o Estado. John Lennon viveu a década em que o mundo pegou fogo, os anos 60, principalmente 68, onde já vimos que John estava por dentro do que acontecia com o mundo (foi nesse ano que ele escreveu Revolution, para o “White Album) e depois quando protestou junto aos panteras negras e tantas outras manifestações sociais que eclodiram na época, e tantas outras composições dele “working class hero” e “power to the people”, também segue essa linha, principalmente o último verso de WCH : “if you want to be a hero well just follow me” ( se vc quiser ser um heroi, bem, apenas me siga) lembra a última frase do Manifesto (proletários de todo o mundo, uní-vos!) e vale lembrar também o grande esforço que os EUA fizeram para deportar John, que na época estava em plena Guerra Fria com a URSS, que pode ser visto no documentário EUA X John.

  4. Será que, pelo John ter essa visão para o mundo, e para as pessoas(trabalhadores e não a elite), ele foi realmente assassinado(Não pela desculpa esfarrapada do Chapman, ou não pelo próprio Chapman) pela conspiração, ou por alguma organização que não queria alguém tão influente como o John colocando coisas nas cabeças das pessoas, dizendo-as uma outra verdade que a mídia manipuladora não queria.
    É uma questão a se pensar, o importante é que o nosso querido John Lennon e suas músicas e idéias estarão conosco para sempre.

    • Thiago, não seja inocente. O que a mídia mais quer é que todos sigam o que John Lenon pregava. O sistema quer um unico gado letárgico, sem reação. Não questiono a habilidade artistica dele, mas o pensamento político desse cidadão era podre e doente

  5. Faço das palavras do Thiago as minhas. .

  6. Faço das palavras do Thiago as minhas 2. Se John pregava a luta do povo contra a opressão e sabemos que a mídia é opressora e manipuladora, o inocente aqui não é o Thiago.

  7. Faço das palavras do Ciro as minhas. Dos quatro Beatles, o Lennon pra mim era o mais criativo. Mas suas idéias políticas são podres mesmo. São idéias que pregam a tão visada “igualdade”, mas o ser humano em sua origem é desigual, onde cada um tem sua particularidade e essa particularidade não pode ser suprimida em prol de um planejamento central, que é característico em regimes comunistas. O ser humano não precisa de um pensando ou definindo objetivos no lugar dele. O ser humano precisa somente de liberdade pra seguir seu caminho em paz.

  8. Denis e Ciro, o que vocês dizem não faz sentido. O que o comunismo prega é a igualdade social, ou seja, diante de leis, economicamente, socialmente e afins. Em nenhum momento de nenhuma das teorias é pregada a uniformidade de seres sem pensamento. Isso surge na indústria cultural, fruto do nosso amado e prazeroso (se vc for de elite) capitalismo. O ser humano é desigual por uma construção social baseada no capitalismo. Não há justificativa biológica pra vc estar aí falando besteira de barriga cheia e metade do mundo passando fome. Outro fator é: com a igualdade social, o fim da miséria, da ignorância e da fome transformar qualquer ser em livre. Já a continuidade dos mesmos é o fim de qualquer liberdade.

  9. Acho que você não entendeu, Pablo. Cada ser humano tem seu objetivo, paixões, gostos e entre outras particularidades que definem o sua personalidade. E essa particularidade já está dentro dele e não é o capitalismo ou outro sistema que define. São apenas escolhas individuais dele. E o capitalismo permite justamente que o ser humano faça suas escolhas individuais, mas que com essas escolhas também vem as consequências. Já o “paraíso” socialista/comunista suprime essas escolhas individuais do ser humano em prol de um objetivo central do partido. O socialismo/comunismo não deixa que o ser humano seja livre para fazer suas escolhas e atingir seus objetivos. Agora, se você não dá valor as suas escolhas individuais e gosta seguir o que um grupo político manda… Aí eu entendo porque meu comentário não faz sentido pra você.

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