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Há 14 anos, George Harrison encontrava seu Sweet Lord

Por Carlos de Oliveira / Estadão

No dia 27 de novembro de 1970, George Harrison lançava seu primeiro álbum solo, intitulado “All Things Must Pass”. Foi sua obra-prima na fase pós-Beatles. Como o título sugere, George tinha muito claro que nada é para sempre. Profundamente ligado à espiritualidade e às crenças védicas indianas, o beatle expôs toda a sua religiosidade no disco. Em “My Sweet Lord”, ele confessava sua vontade de encontrar-se com o Senhor, o que ocorreu há 14 anos, em 29 de novembro, vencido pelo câncer.

Às 15h30 deste domingo, dia 29/11, todos aqueles que gostam de música poderiam fazer uma homenagem especial: pegar um disco de George Harrison e colocá-lo para tocar. Nesse dia e nessa hora, há 14 anos, o “beatle quieto” morria na casa de um amigo, em Beverly Hills, na Califórnia, vencido pelo câncer. Tinha 58 anos.

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“Estou em paz” – Altamente espiritualizado, pouco antes de morrer George despediu-se de Paul McCartney, seu amigo de infância. Por telefone, disse a um Paul em lágrimas: “Já não estarei aqui no Natal”.  Ringo, que estava em Boston acompanhando sua filha, também com câncer, disse que iria para a Califórnia e que ficaria ao lado de George até o fim. “Não venha, estou em paz”. Terminava ali sua luta contra a doença que dera seus primeiros sinais nos anos 90. Em 2001, surgiram as metástases. O cérebro fora afetado. O beatle entrava em fase terminal.

geo2Tudo preparado – Difícil definir o que separa a frieza da serenidade. O fato é que George tinha tudo preparado para seu último momento. No dia 14 de novembro, internado no Staten Island University Hospital, em Nova York, soube pelos médicos que não teria mais muito tempo de vida. Fez apenas uma pergunta: “Onde vou morrer”?

Perguntou apenas por perguntar. Ele já tinha tudo decidido. Ficar no hospital ou voltar para Londres ou para sua Liverpool natal eram opções descartadas. A família Harrison tinha também uma casa no Havaí, mas a viagem seria penosa. Iria, então, para a casa do amigo Gavin De Becker, em Beverly Hills, longe de tudo, de qualquer publicidade. “George não queria como epitáfio sua fotografia num caixão”, disse Becker.

Cinzas – Voou em jato particular até Santa Mônica. Numa ambulância descaracterizada seguiu para o UCLA Medical Center. No dia 20, seu estado de saúde deteriorou-se e foi transferido para a casa de Becker. No dia 29, morreu ao lado da esposa Olivia, do filho Dhani, do músico clássico indiano e seu mestre na cítara, Ravi Shankar, e de outros dois amigos indianos. Seu corpo foi cremado na manhã seguinte. Suas cinzas foram levadas para a Índia e jogadas em um rio sagrado, provavelmente o Yamuna ou o Ganges.

George (esq.), sua mãe e seu irmão mais velho, Peter, em Liverpool.

George (esq.), sua mãe e seu irmão mais velho, Peter, em Liverpool.

Cumpria-se a sua vontade. George Harrison ia ao encontro de seu Sweet Lord. Diz a letra de sua canção:

Meu doce Senhor

Meu Senhor, meu Senhor

Eu realmente quero vê-lo

Realmente quero estar com Você

Realmente quero vê-lo, Senhor

Mas isto vai levar muito tempo, meu Senhor

Meu doce Senhor

Meu Senhor meu Senhor

Eu realmente quero conhecê-lo

Realmente quero ir com o Senhor

Realmente quero mostrar-lhe, Senhor

Mas isto não vai levar muito tempo, meu Senhor (aleluia)

Meu doce Senhor (aleluia)

Meu Senhor (aleluia)

Meu doce Senhor (aleluia)

Realmente quero vê-lo

Realmente quero vê-lo

Realmente quero vê-lo, Senhor

Realmente quero vê-lo, Senhor

Mas isto vai demorar muito, meu Senhor (aleluia)

Uma das últimas fotografias de George, já bastante abatido pela doença.

Uma das últimas fotografias de George, já bastante abatido pela doença.

Homenagem – George foi-se em paz. Um ano depois sua música foi celebrada num monumental concerto promovido por Eric Clapton e Dhani Harrison no Royal Albert Hall, em Londres. O Concert for George reuniu dezenas de músicos que direta ou indiretamente tiveram relação com o beatle. Entre eles estavam Paul McCartney, Ringo Starr, Jeff Lynne, Billy Preston, Tom Petty, além do grupo humorístico inglês Monty Python, com quem George trabalhou e produziu. Foi uma grande festa, à altura da obra do artista.

Concerto – O que se segue é a versão completa do Concert for George, realizado em Londres exatamente um  ano após a morte do beatle. A primeira parte do espetáculo coube a uma orquestra indiana regida por Anouska Shankar, citarista virtuosa e filha de Ravi Shankar. A peça chama-se Arpan, foi composta por Shankar e começa com um solo antológico de cítara, executado por Anouska. Arpan significa “dar’, ‘oferecer’. Na segunda parte do espetáculo, um grupo de grandes músicos executou várias músicas de George. A direção musical foi de Eric Clapton. Dhani Harrison, filho de George, também tocou, usando os instrumentos de seu pai. O concerto tem mais de duas horas de duração. Vale a pena ir até o fim e ver essa homenagem ao beatle.

Fonte: Estadão

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7 Respostas para “Há 14 anos, George Harrison encontrava seu Sweet Lord

  1. Puxa, e não há como fazer contato com o autor da matéria. Muito boa, mas com grande engano. George não morreu na casa de nenhum Gavin De Becker, Ele morreu na casa de Paul em Los Angeles. Ai, ele precisa saber. Não há lugar para comentários no Blog.

    Ele pode ter se enganado porque no dia recolveram ocultar que ele estava em casa de Paul. Acharam que daria tumulto. Então deram uma informação falsa de onde George estava. Mas a polícia não aceitou. Tinham de falar a verdade por exigência da lei. Então logo saiu que ele tinha morrido numa casa arrendada por Paul onde ele sempre ficava quando ia a Los Angeles Não sei se ainda fica lá e se já parou de arrende-la Proprietária da casa: Courtney Love.

  2. Marcus Kaufmann

    Prezados amigos,

    Nem tão ao céu, nem tão à terra.

    Creio que um resumo fidedigno do que aconteceu com George (e sobre essas discrepâncias da casa onde faleceu em Los Angeles…) pode ser recuperado, a partir das inúmeras leituras, de várias fontes internacionais, pesquisadas para a formação do mais do que excelente site http://www.beatlesbible.com (administrado pelo beatlemaníaco Joe que se dedica às verdadeiras informações em um plano quase próximo a de Mark Lewisohn…), mais ou menos assim, em tradução livre feita por mim, mas de forma pontuada e sumariada:

    1) George recebeu um diagnóstico de câncer em 1997, depois que uma protuberância em seu pescoço foi descoberta. Muito embora as perspectivas iniciais tenham sido positivas, no início de maio de 2001 George se submeteu a uma cirurgia na Mayo Clinic em Rochester, Minnesota, EUA, para a remoção de uma formação cancerígena de um de seus pulmões;

    2) Em julho de 2001, ele se submeteu à radioterapia na Suíça em decorrência de um tumor cerebral e, em novembro de 2001, passou a ter sessões de radioterapia na Staten Island University Hospital em Nova Iorque, New York, EUA. Quando se tornou claro que não haveria, naquela particular situação pessoal de progresso da doença, recuperação possível, George determinou que não morreria em um hospital e, com a ajuda, sim, de um consultor de segurança chamado Gavin de Becker (portanto, não se trata de um personagem fictício!!), planejou um funeral secreto;

    3) George viajou, então, para Los Angeles e após ter tomado alguns medicamentos para aliviar as fortes dores na UCLA Medical Center, foi levado a uma casa alugada – e depois pertencente a Paul McCartney. Lá, George atravessou 36 horas saindo e voltand a estados de consciência, acompanhando por sua esposa, Olivia, e de seu filho, Dhani. Em algum ponto nesse período, a família recebeu a visita de Ravi Shankar, que tocou cítara enquanto todos aguardavam o desfecho já sabido;

    4) George faleceu em 29/11/2001 às 13h20 (horário de Los Angeles). A “causa mortis” foi listada na certidão de óbito expedida pela Municipalidade de Los Angeles como uma decorrência de células do pulmão consideráveis em estado de metástase. Seu corpo foi envolto em uma espécie de xale e coberto com óleos sagrados;

    5) Vinte minutos após o falecimento, uma equipe de profissionais do Hollywood Forever Cemetery chegou para as providências esperadas para com o corpo. Eles se deram as mãos e assim procederam para com a família Harrison e amigos para algumas orações;

    6) O corpo foi, então, levado por uma descaracterizada ambulância branca para a averiguação do Dr. Lee S. Rosen, oncologista chefe da UCLA Medical Center em Los Angeles, que assinou a certidão de óbito. George foi cremado em um caixão de papelão dentro das 10 horas que se seguiram ao falecimento;

    7) A certidão de óbito – quiçá para driblar a comoção geral de fãs e público em geral, bem como para preservar a intimidade da família – inicialmente indicou que George falecera no endereço 1971 Coldwater Canyon Road em Beverly Hills. A informação, no entanto, foi desmentida algum tempo depois porque o endereço não existia, o que motivou a que a Promotoria do Distrito de Los Angeles procedesse a uma investigação para revelar o verdadeiro local: 9536 Heather Road. Nesse local, situava-se uma casa que fora, de tempos em tempos, alugada por Paul McCartney e que, depois, veio a ser adquirida por ele. Tudo isso motivou a quer uma nova certidão de óbito fosse expedida em conformidade com as leis americanas;

    8) As cinzas de George foram levadas para a casa da família Harrison no Havaí (para onde parece ter havido alguma sugestão da família, e de George, para os momentos finais, se não fosse a desgastante viagem até lá…), antes de serem espalhadas no Rio Ganges em uma cerimônia privada.

    Abraços a todos,

    Marcus Kaufmann

    • “foi levado a uma casa alugada – e depois pertencente a Paul McCartney”.

      Marcus, quando George foi levado para essa casa onde veio a falecer, já era a residencia de Paul quando em Los Angeles. Foi arrendada nas mãos de nada menos que Courteney Love. E não foi arrendada com o propósito de George ir para lá. Ja estava sob os cuidados de Paul desde muito tempo antes. Ele a liberou para George passar lá seus últimos momentos. A dificuldade de acreditar nisso veio devido ao próprio Paul e Olivia. Eles temiam que houvesse tumuldo se soubesse que George estava lá. Então inventaram um outro endereço. Mas a polícia exigiu que dissessem a verdade. Como existe um boato que George não gostava de Paul e vice versa, se recusaram a acreditar nisso, pois provava que a amizade entre eles era real. Quando houve a homenagem a George em Hollywood, na calçada da fama, Eric idle fez questão de esclarecer isso. Nâo poupou elogios a Pual, dizendo do seu apoio também a Olivia e Dhany. ” Poucos sabem que George se encontarava numa casa de Paul quando morreu”, disse ele. Portanto pode ser provado o que estou falando. Está no discurso que pode ser ouvido no youtube. Vou procurar e colocar o link aqui depolis. Ele não fala sobre ter sido arredada da Courtney love. Isso eu vi em outro lugar. Ela fala sobre a casa já ser de Paul quando George morreu. Não creio que ele inventaria uma mentira a repeito disso. Era muito ligado a George e não falaria isso se não fosse verdade;

  3. Aqui está um link para matéria mostrando como o tal de Becker, expert em segurança, até falsificou um documento para mostrar George num lugar desconhecido. Boa matéria com detalhes sobre o caso. Vi mais coisas ainda. Paul adquiriu a casa em 2001 antes do falecimento de George. Mas talvez não seja bem assim. Ele pode ter arrendado a casa antes do falecimento de George, e feito a compra posteriormente, daí o engano do Beatles Bible e também do autor da matéria. Faz sentido. Esse detalhe , se comprou antes ou depois, não muda o fato que a casa já era onde Paul ficava quando em Los Angeles. Já estava com coisas de Paul lá dentro, era a casa dele sim. A forma como disseram no Beatles Bible passa a impressão que alugaram a cada para George morrer, talvez o próprio George…E depois Paul resolveu comprar a casa. E não foi assim. Ao saber que George não podia viajar e que não queria morrer no hospital, Paul ofereceu a casa dele em Los Angeles. Mesmo sendo arrendada era a casa onde ele ficava. Que nem a casa de John Lennon em Los Angeles. Todos falam casa de john. Era arrendada. Pertencia a Peter Lawford.

    http://www.feelnumb.com/2010/01/25/george-harrison-died-at-paul-mccartneys-house-that-he-bought-from-courtney-love/

    E aqui o link para o discurso de Eric Idle. ” George actually died in Paul McCartney’s house”, diz ele Um discurso hilário porque Eric é realmente muito engraçado. Olivia e Dhanny presentes…Olivia confirmando com a cabeça…Não há discrepância. George realmente faleceu na casa de Paul quando em Los Angeles. Esclarecendo que Paul não se encontrava na casa no dia do falecimento. Estava na Inglaterra.

  4. Marcus Kaufmann

    Ótimo, Sertaneja, creio que os fatos estão, então, melhor esclarecidos agora! Obrigado pelo link ao discurso do líder dos The Rutles kkkkk!

    Abraços,

  5. Marcus Kaufmann

    Creio que a maior divergência que tínhamos era sobre a casa pertencer ou não a Paul quando do falecimento de George. No mais, os fatos estão harmonizados!

    • Se pertencia oficial a Paul, se ele já tinha a escritura da casa, isso não se sabe. Mas já era a residencia dele em Los Angeles. Correto falar casa de Paul, isto é, onde ele residia quando naquela cidade. Em 1954 morei um ano numa casa alugada. Mas foi nossa casa porque ali residíamos. Como você viu, eles criaram a confusão. O carinha até falsificou um documento, tudo com receio que houvesse invasão se soubessem que era casa de Paul. Parece que fizeram algo parecido quando Linda faleceu. Não deram o endereço. Inventaram outro qualquer… Mas ela estava na fazenda em Tucson Arizona.

      Eu amo The Rutles! Adoro aquele episódio deles anunciando a emresa Banana…e dizendo que estaria aberta para todos, na maior ingenuidade, que quem precisasse de dinheiro poderia procura-los. O mais engraçado fizeram algo bem parecido no lançamento da Apple em Nova York. Eu ainda acho que aquele anúncio e os outros da mesma época podem ter trazido problemas muito sérios para os Beatles. Pura teoria da conspiração. Mas quando lembro do que aconteceu com o Taiguara, com Caetano Veloso, Gilberto Gil e Geraldo Vandré, não há como não pensar na possibilidade de uma perseguição a eles e que levou à separação. Eles já eram perseguidos. Nunca vi nenhuma outra banda que passasse por tants dissabores no mesmo ano. Ameaças no Japão, ataque violento nas Filipinas, e toda aquela queima de discos e fotos nas ruas dos Estados Unidos. A Ku klux klan no comando. Já deviam estear de olho neles. Então John e Paul se declaram comunistas ocidentais, criando uma empresa que seria uma experiência socialista? Animadíssimos…o contrato deles era de dez anos! No ano seguinte já não mais existiam. Para mim aí tem coisa. Claro que posso estar viajando na maionese. Mas faz sentido.

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