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Paul McCartney ao vivo: uma sensação inesquecível!

Só eu sei te dizer o que foi aquilo. Na verdade, nem eu sei bem dizer. Durante umas três horas, eu estava diante de um amigo de longa data: Paul McCartney. Eu não o via através da televisão, tampouco ouvia sua voz do aparelho de som. Eu o via e ouvia, em primeira mão, ao vivo e a cores.

imagem 1Estávamos bem perto um do outro, cantando um para o outro. Quase olho no olho. Ele via minhas emoções, e parecia que ele as amava. As amava tanto, que era eu me emocionar, que ele trazia consigo mais uma emocionante canção.

Eu sei. É difícil acreditar visto que eu estava tão longe. Mas era assim que acontecia. Tudo era emocionante. Porque sentia que estava mais perto dele. Até na hora de comprar o ingresso foi como se ele me dissesse: “estou esperando por você”.

A emoção não começou no dia do show. Muito menos terminou quando Paul saiu daquele palco. Antes do show, tive dois meses de emoções, e depois, bem… até hoje. É difícil descrever o que aconteceu depois de sentar naquela cadeira e ficar cantando os remixes. Tenho vagas lembranças, pois eu não tinha consciência do que realmente estava acontecendo.

Minhas emoções me diziam que ele estava chegando, mas meu lado racional não tinha se tocado ainda. Na verdade, não se tocou até hoje. Minha mente não podia compreender tamanho fenômeno. Aquele tanto de sentimentos não cabia dentro de mim.

E quando aquela expectativa toda se tornou realidade, eu já não sabia aonde estava, nem o que fazia ali. Quando Paul entrou, minhas pernas bambearam, meu coração disparou. Era ele de verdade, não era uma mentira, não era um sonho.

Tinha diante de mim, um grande amigo, companheiro de todos os momentos. Aquele dia superou qualquer outra ideia que eu tivesse de como seria. Eu poderia imaginar qual música ele tocaria, mas nunca adivinharia como era realmente estar lá.

imagem 2E estar lá é simplesmente uma das melhores sensações, uma emoção que é impossível se descrever. E só quem já foi, e que sente aquilo que ele canta, que vai entender.

Tive momentos em que queria chorar, outros que queria rir, outros que queria subir naquele palco, e apenas dizer “obrigado”. Aquele show me despertou sensações que eu nem sabia que existiam, e eram um amontoado delas.

Em uma só música, eu conseguia pensar nas circunstâncias em que foram gravadas, com que intenção foi composta, a técnica utilizada, e o que essa música representava para mim.

Além de me lembrar de que estava vendo ela ao vivo, e ainda cantava ela, com todo vigor! E foi assim, em cada música. E cada uma teve seu “grau” de emoção maior do que a outra!

Mas, ao mesmo tempo em que fui despertada às sensações que nem sabia que existiam, as mais básicas, eu tinha me esquecido. Meus olhos enchiam d’água, mas não derramei uma lágrima. Tive a impressão de que eu tinha me esquecido de como se chorava.

E eu tinha razões para chorar. A cada minuto, Paul via minhas reações e me bombardeava com músicas ainda mais emocionantes… que me traziam uma série de lembranças. Mesmo assim. Eu não conseguia chorar.

No medley final, que era o momento “chave” do show, quando começou a introdução de Golden Slumbers, a minha vontade era ter desabado a chorar. Mas, naquele momento, eu percebi que devia cantar com ele mais um pouco. Mesmo que eu já estivesse totalmente sem voz. Era uma despedida digna, afinal. Uma maneira de agradecê-lo. E quando ele disse “até a próxima”, tive a certeza de que ele voltaria a me presentear com aquilo tudo. Saí do estádio ao som da multidão. Mas ainda não tinha me tocado que estava no show.

the_beatles_pictures92No outro dia, acordei com medo de ter sido apenas um sonho. Tive sorte de levar minha máquina fotográfica. Vi as fotos, e tive a certeza de que eu realmente tinha ido. Olhei para uma foto dos quatro garotos de Liverpool colada em minha parede, e exclamei “vocês realmente podem dar um jeito!”

Por Mariana Alves

10 Respostas para “Paul McCartney ao vivo: uma sensação inesquecível!

  1. Meu primeiro show foi bem assim! Aquela sensação de não acreditar que aquilo tá acontecendo, o olho encher de água mas nenhuma lágrima sair, cantar já quando não se tem voz na “despedida”.. Só quem já foi num show do Paul pra saber isso… é uma coisa inexplicável pra quem não é fã… E digo mais: o segundo show ainda é melhor hehe

    • Muito obrigada pela leitura Ana! Sorte sua que já foi em dois! Já estou esperando meu segundo show!!!
      Abraços

  2. Marcus Kaufmann

    É isso mesmo, Mariana!!! Nós sentimos isso juntos, então! Muito legal, legal, legal, legal, legal!!! Parabéns pela sua sensibilidade e pelo seu texto!

    • Muito obrigada Marcus!!!! É um sentimento universal, de Beatlemaníaco para Beatlemaníaco!!🙂
      Abraços!!

  3. Mariana. Eu ainda vou falar sobre o show. Mas será uma mera repetição pois você acabou de dizer tudo e um pouco mais do que tudo. Essa emoção só mesmo pessoas como nós ( e quando digo isso não estou nos colocando acima de ninguém, que fique claro, somos só privilegiadas) que vivemos a Beatlemania, podem sentir e entender. Verdade que as palavras somem. Tudo muito novo. Como definir o indefinivel? Mas você se saiu maravilhosamente bem. Vou até ler mais uma vez. Viu o depoimento de Alice? Uma beleza.

    • Ah Virgínia! Dizer sobre o show do Paul nunca será repetitivo! Não há como explicar o inexplicável, e cada um tem uma maneira de tentar…. essa foi a minha.
      Quero que você saiba que este foi o texto que I’ll be back me inspirou a fazer, e sem você, este texto jamais sairia! E lógico, com uma little help do comentário de Alice, que foi o ponto chave que me disse “eu preciso escrever sobre isso”.
      Estou ansiosíssima para sua parte dois! Não vejo a hora!
      Abraços!

  4. Preciso anotar em algum lugar de nunca ler um texto seu quando minha mãe estiver por perto, Mariana, porque você me deixou com o rosto todo molhado :’) Tive que colocar a mão na cara para esconder as lágrimas. Eu me lembro como se tivesse sido ontem, mas ao mesmo tempo, como se fosse algo muito distante. Minhas lembranças também são vagas e não me lembro do show inteiro, mas os momentos que ficaram são fortes. Eu não consigo mais ouvir Another Day sem cair no choro. Ou Day Tripper sem começar a pular. É uma emoção indescritível mesmo. Quando Paul entrou naquele palco, eu desabei. Chorei mesmo. É um pedaço do sonho há poucos metros de você, ao vivo e em cores. Não é qualquer pessoa, é ele. Um amigo de longa data que conhecemos pela música, e que de repente está tão perto. É como estar ao lado dele. E foi isso o que eu quis dizer naquele dia. “Obrigada”. Por ser meu amigo, por estar perto de mim, por me transportar para outra época, por simplesmente me fazer sentir essa sensação que ninguém mais consegue. Dois dos momentos que eu nunca vou esquecer: Magical Mystery Tour, a abertura, que me fez chorar tanto que nem consegui cantar junto, porque de repente, depois de uma hora de atraso por conta da chuva, lá estava ele. E o final. “Até a próxima”. Certamente, Paul. Haverá uma próxima, e eu estarei lá. Quem sabe ele não volta para Brasília esse ano? Minha mãe e eu já seremos presença confirmada. Ela gostou tanto da experiência que sugeriu voltar tão rápido quanto eu. Assim que saímos do estádio. “Vamos voltar, mãe?” “Vamos voltar, Alice”. Até a próxima. E mesmo que essa próxima demore meses ou anos, eu não me importo de esperar. Estarei lá.

    Abraços!

    • Ai Alice! Eu que me emociono- como sempre- com seus comentários! Como falei para Virgínia, o seu comentário em I’ll be back foi uma das fontes de inspiração para este que saiu🙂
      Tudo o que sentimos ali é realmente indescritível… não há palavras para descrever!
      Quem sabe Paul vem em BH, e nós três (“o terceto fantástico” hahaha) nos encontramos? Mais épico impossível!!! Estaremos lá.
      Não vejo a hora de ter todas estas sensações novamente!
      Abraços!

  5. Lourdes Barros

    É tudo isso e muito mais. A parte ruim é a depressão pós Paul que aparece nos dias depois do show.

    • Não gosto nem de me lembrar Lourdes, é impossível ouvir qualquer música dos Beatles e solo, sem não chorar depois do show!!! Com toda certeza, é isso e MUITO mais….
      Muito obrigada pela leitura!
      Abraços!

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