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“I’ll be back!” (Parte I)

-fd1a919e2cfba2abAbril 2013.  Como em todas as tardes, encontro-me num quarto de hospital onde minha mãe se acha internada. Quadro triste.  Ela está nos deixando lentamente. A cada dia sentimos que a despedida se aproxima.  Minha função ali é estar com ela atenta ao menor sinal de problemas e sendo o caso, chamar os enfermeiros. Ela quase não fala… apenas cochila. Eu leio os jornais diariamente.  Naquela tarde pego um deles e logo vejo, em ponto grande, uma foto de Paul McCartney.  O que estariam falando sobre ele? O que leio cai sobre mim como uma bomba. O jornal informa sua próxima vinda para um show em Belo Horizonte. Relembro um acordo que fiz comigo quando  ele veio ao Brasil pela primeira vez. “O Rio de Janeiro é longe. Se ele vier algum dia a Belo Horizonte eu irei.” Parecia estar selando um destino sem jamais ver um dos seus shows. Praticamente ninguém do calibre dele vinha a Minas Gerais. Mas ali estava o anúncio de sua chegada e eu não poderia cumprir meu acordo. Como deixar minha mãe naquele estado?  Então choro com pena de mim. Tanta pena de mim…

Em casa o meu pensamento viaja.  Revejo uma série de cenas de minha mãe comigo tendo Paul como tema. Como quando convidou-me para ir à Belo  Horizonte porque “O filme ‘Help!’ está em cartaz”.  E fomos!   Escuto sua voz nos meses de junho sempre dizendo a mesma coisa. “O aniversário de Paul está chegando. Não se esqueça de escrever para ele.” Em 69 ela fala suspirando…”Que pena, Virginia… Ele se casou!”  Em 70, arrumando as malas para uma viagem a Londres, mostro a ela minha agenda com o seu endereço, dizendo: – “Eu vou  lá…”. Ela desaprova.  ”Minha filha, ele é um homem casado!” E eu: – ”Os artistas não precisam ser solteiros para serem amados.” No meu retorno vejo seu desapontamento quando digo ter voltado sem conhecê-lo.  “Ele estava na Escócia… Trouxe folhas do seu jardim.” Seus olhos esverdeados brilham olhando as folhas. Ao longo dos anos não era raro ouvi-la me chamando… ”Corre Virginia, Paul está cantando no Fantástico”.  Eu também a chamava para ver comigo algum especial dele na minha sala. Vendo o vídeo de “Beautiful Night”, encantou-se  pelo seu suéter. Pegou os pontos e teceu algo bem parecido para mim.  Paul cooperou bastante. Ela conversava com ele. – “Paul, vire de costas”. – “Levante os braços, por favor”. – “Chegue mais perto. Obrigada”. Ele a atendia… E aquele dia que a encontrei chorando no corredor? “Ô Virginia, a Linda morreu! O que será de Paul?” Pediu desculpas. Por que mesmo? Enxugando as lágrimas, ela disse: – “Nunca tive coragem de te falar… você ficaria sentida comigo e com razão. Ele escolheu ela! Virginia, me perdoe… Eu gostava de ver os dois cantando!” Chorou mais ainda. Epa, teria entendido certo?  Pareceu pensar que eu tinha alguma ilusão … Tive vontade de dizer que minha “raiva” de Linda era por não ter se contentado em ser esposa. Tinha de subir nos palcos? De entrar nos estúdios? Tinha de cantar com ele sem ter condições para isso? Paul tinha ficado “amazed” com ela o ajudando a cantar. Eu tinha ficado em estado de choque. O mais grave: era preciso ouvir sua voz se quisesse ouvir a dele. Parecia-me que ele e John tinham colocado as esposas em seus discos e shows numa competição! Ficamos sem Lennon/McCartney, a mais perfeita parceria possível e nos deram Paul/Linda e John/Yoko. Sabia que alguns apreciavam. Minha mãe, por exemplo… A mim parecia brincadeira de mau gosto.  Eu reclamava em voz alta. “Tem alguém sobrando nesse vídeo”. Ou: “Tem alguém fingindo tocar”. Ou ainda: “Paul, logo você que não aceitava Stuart! Que achava um absurdo ele tocando de costas para que não vissem sua incompetência. Que sabia que ele prejudicava a banda… Como agora faz o mesmo?” Mamãe ouvia e, na certa concluía: “Puro ciúme”. Talvez tenha sentido inveja, como sentia de todos que privavam da companhia de Paul. Mas ciúmes? Ele nunca tinha me visto mais gorda na feira. Nunca foi meu pretendente. E além disso, sou contra casamentos. Eu poderia ali ter dito essas coisas a ela. Preferi apenas dizer que não carecia pedir desculpa. E completei: “Eu também estou sentida. Vamos rezar por eles?” E rezamos. Por eles e por nós. Ao término, com olhos ainda molhados, ela disse: “Coitadinho de Paul. Viúvo. Virgínia, ele está sofrendo! Ela ontem andou a cavalo…” Lá vem mais lágrimas. Dessa vez eu chorei junto. Percebi, então, algo incompreensível para muitos e até ridicularizado: o Paul McCartney, definitivamente,  fazia parte dos nossos entes queridos. Ele e família.

JUST-ADDED-Paul-McCartney-will-perform-at-the-2013-iHeartRadio-Music-FestivalVoltamos a falar sobre Paul em 2011, no dia 19 de junho, aniversário dela. Na cadeira de rodas, meio esquecida, lembrou-se que no dia anterior tinha sido o aniversário de Paul. Vejam o que falou – ”Teria tido muito gosto em ter o Paul como genro…” Levo na brincadeira. – “Um excelente partido. E naquele tempo quando vimos ‘A Hard Day’s Night’ juntas…” Ela me interrompeu. – ”Você se apaixonou perdidamente por ele.” – “Eu e milhões ao redor do mundo”. Continuei: – “Queria dizer que nem fazia ideia de como era sua personalidade. Era um Beatle! E que mais? Pois agora sabemos que é vegetariano como eu, que ama os animais como eu. Até estamos na mesma campanha da Segunda Sem Carne.  Tinha tudo pra dar certo…”  Solto uma gargalhada. E ela, com rosto sério: ”Tinha mesmo…”. Minha alma sorri com a lembrança, mas adormeço chorando! Dia seguinte entro na  sala onde fica uma foto emoldurada dele desde 1965. Olho a foto dizendo “Bad timing, luv”. Dias depois uma amiga procura me reanimar. “Ah, ele volta”. Seria possível?  Sabemos agora que sim.

(Fim da primeira parte)

Por Virginia A. de Paul(a)

10 Respostas para ““I’ll be back!” (Parte I)

  1. É isto aí, ciumenta. rs

  2. Emocionadíssima agora, Virginia. Com esse seu texto, você me trouxe uma tonelada de lembranças. Me fez voltar lá atrás… bem lá atrás. Eu lembro desse show, do modo como eu soube dele. Foi no jornal da tarde que anunciaram, e eu fiquei chocada. Naquela época ninguém vinha para o Brasil (não que eu me lembre), e eu fiquei simplesmente besta. Paul McCartney. Alguma coisa acontecia comigo quando eu ouvia esse nome. O mesmo ocorria quando eu ouvia “John Lennon” ou “Beatles”. Ali era tudo diferente, era a minha inocência depositada em cada objeto daquelas memórias. Mas alguma coisa acontecia ali. Eu não conhecia os Beatles musicalmente, mas vez ou outra falavam sobre eles na televisão e meu coração disparava. Não era só algo bonito de se ver, havia mais ali, e a admiração que eu sentia por eles era indescritível. Saber que algo é maior do que você pensa quando se é tão jovem… Eu mal acreditei quando soube que ele vinha. Tudo o que eu conseguia pensar era algo na linha de “Paul McCartney? Dos Beatles? Aqui?! Mas como? Minha nossa, isso é impossível. Esse país devia se sentir honrado! Imagine só como deve ser estar perto dele…”. Minhas fantasias subiram à cabeça. Ele, um Beatle, em Belo Horizonte, tão longe, ao mesmo tempo tão perto de mim, mas inalcançável. Ele viria e eu não poderia vê-lo. Talvez nunca mais voltasse. Chorei de tristeza. Mas fiquei feliz por quem poderia também. Eu choro até hoje ao me lembrar daquele dia. Não por causa da tristeza de não ter ido, ou por ter conseguido realizar o sonho, mas porque eu fico besta mesmo. Essa magia dos Beatles é a coisa mais linda do mundo. É capaz de causar um frenesi até mesmo em uma criança. Me lembro das fotos que eu via, da sensação. Eles existiram mesmo? Tudo para mim já soava como um sonho. Mas estavam lá, juntos. Eu sentia a ligação só com as fotos ou os vídeos. Eu acredito em destino, vidas passadas, coisa do tipo, e já cheguei a pensar que vivi aquela época em outra vida, porque estou conectada com ela a todo tempo. Ou já nasci beatlemaníaca. Talvez o amor só precisasse aflorar, e foi isso o que aconteceu. E fico me perguntando se ele teria aflorado se eu não tivesse entrado naquele site de música naquele dia. Eu estava tão entendiada… decidi ouvir alguma coisa e encontrei uma playlist. Hey Jude estava lá, e e corri para ouvir. Foi mágico. Hey Jude, don’t make it bad, take a sad song and make it better. Como se fizesse parte de mim. Então eu fui pesquisar. Lennon e McCartney… mesmo sem ter detalhes sobre a amizade dos dois, eu sempre sabia que era muito além do que eu poderia imaginar. Por que não pesquisar sobre a amizade dos quatro? Vim parar aqui no Beatles College. Seu texto também me trouxe outra lembrança. Um dia nublado como hoje. Fui assistir A Hard Day’s Night. Conhecia os Beatles há apenas uma semana, nem mesmo beatlemaníaca era ainda, apesar de me sentir como uma. E então… aquela introdução. O acorde inicial, as imagens, a música. A mágica. Foi a minha primeira epifania. Nada se comparava àquilo. A Hard Day’s Night por inteiro representou isso, desde o início até os créditos. Me tornei uma beatlemaníaca e encontrei em George e em John os meus favoritos. Graças ao filme. E então, naquele mesmo ano, depois de muito rezar e ter uma esperança que temia muito ser falha, a notícia. Paul McCartney em Brasília. Confirmado. Ah, mas eu chorei, como eu chorei! De alegria. Brasília! Já não bastava ter visitado o Brasil tantas vezes, ele viria para cá. E depois de muito desespero, comprei os ingressos. E agradeci a Deus. E estive lá no Maraca. A viagem de carro, os momentos na fila, nada jamais vai escapar da minha memória. Afinal, se quase chorei na frente de uma multidão ao tocar nos ingressos, que dirá lá! Mas aguentei firme, debaixo de chuva. Então entrei no estádio. Engraçado, moro aqui desde que nasci e nunca tinha entrado lá antes. Quando eu vi aquele lugar enorme e o palco lá na frente, quando finalmente sentei na minha cadeira, eu chorei pela primeira vez, porque a ficha caiu. Paul iria aparecer naquele palco. Paul iria cantar. Paul estaria na minha frente. Chorei e me controlei, para depois chorar de novo. Chorei quando os remixes começaram, me controlei, chorei com as fotos no telão, me engasguei com as lágrimas quando ele apareceu. Não cantei Magical Mystery Tour com Paul McCartney porque estava ocupada demais… chorando. Chorei ainda mais com All My Loving. Porém, eu consegui parar de chorar e aproveitar o momento, cantar com ele, mesmo que a minha vontade fosse desabar de chorar. E em algumas eu não consegui aguentar firme, não consegui mesmo. Chorei com The Long And Winding Road. Another Day… eu não consigo mais ouvi-la sem chorar! And I Love Her… Havia uma mulher na minha frente que devia ter a sua idade, Virginia. Ela era fã desde os quinze, quando eles surgiram. E éramos eu e ela, chorando e sorrindo uma para a outra, e o Paul tocando And I Love Her e realizando os nossos sonhos, corações batendo acelerados pelo mesmo motivo, o mesmo amor. As dancinhas em I’ve Just Seen A Face e Lady Madonna. E minha mãe tendo um ataque ao meu lado? Impagável! “Aliceeeeee, o Paul é tãããão lindoooo! E que voooooz! MEU DEEEEEEUS!” Hahahahaha. Desabei de chorar em Here Today e quase morri em Something. Coisa mais linda. E aquela foto no telão? Piedade, Paul! Hey Jude… Quase 50.000 pessoas em um coro, chorando. O mesmo amor, a mesma emoção. O tanto que eu gritei em Day Tripper… o garoto ao meu lado estava morrendo de chorar, e éramos eu e ele, cantando/berrando o coro mais desafinado de Day Tripper da história. E chorei quando acabou. Queria que ele voltasse, que não fosse embora, que ficasse ali para sempre… Mas não era possível, afinal. Mas realizei um sonho naquele dia. Nunca senti uma emoção tão linda, e nunca vou esquecer. Oh, minha nossa, falei mais de mim do que do texto. Desculpe por isso, deixei que minhas emoções assumissem. Mas é mesmo um belíssimo texto, Virginia. Simples, mas capaz de emocionar muito. Meus parabéns. Esperando ansiosamente pela segunda parte!

    Abraços!

  3. Parecem amigos íntimos. Nunca pensei que isso seria possível. Eu já fui apaixonada por um artista. Já tive um ídolo quando menina, até os 18 anos, mas nunca pensei que pudesse acontecer dessa forma e com tanta intensidade. Isso nunca existiu em mim. Linda amizade! Bela paixão, Virgínia!

  4. Gostei do blog Virginia!

  5. Ah Virgínia!! Como me emocionei!! É realmente incrível como ele pode fazer parte de nossas vidas, de nossas famílias! Presenciei toda a expectativa do show em 2013. O medo de não ir… o medo dele não voltar… você me passou isso Virgínia. Até me inspirou a fazer um texto sobre aquele show.
    Assim como Alice disse, você me fez voltar todas aquelas emoções de ver Paul ao vivo. Fico muito triste por você não ter ido naquele dia (talvez a gente se conhecesse), mas ao mesmo tempo, me explodo de alegria por ter conseguido ir em 2014!!
    E quem sabe qualquer dia, em um épico show, a gente se encontre? Espero ansiosa pela parte dois. Muito obrigada!! De verdade…
    Beijos!

  6. Nossa, que bom. Tantos comentários! Eu sempre esqueço de marcar para ser avisada e não sabia. Resolvi entrar agora e encontrei essas maravilhas. Alice fez um texto espetacular que poderia ter lugar no Beatles College como um artigo especial. Ela demonstra como a Beatlemania existe firme e forte ainda hoje. George, está ouvindo? A magia permanece. Um depoimento da maior importância. Parabéns, Alice. Como teria sido bom ter encontrado você e também ter conhecido a Mariana, que me deu de presente – e a todos os leitores – um comentário apaixonado e brilhante. Queridas, eu penso que vivemos mesmo muitas vezes. Mesmo que nada seja por assim dizer, real, Não é real porque não é o mundo verdadeiro, mas sentimos como real, então vale. Eu sei porque eu recordo trechos de outras vidas que tive. Inclusive já estive presente num momento dramático na minha vida anterior. Então, quem pode nos garantir que já não conhecíamos os Beatles antes? Eles também foram outras pessoas, ou melhor, tiveram outros nomes, outros corpos, mesma alma. Uma vez cheguei a pensar em quem o Paul poderia ter sido. Algum compositor clássico? Algum artista plástico? Mas não obtive resposta. Amigos, a segunda parte vai demorar um pouquinho porque tenho de entregar um texto para um livro ate o dia 15 e não estou nem na metade. Mas até o dia 20 espero que esteja pronta. Será sobre os preparativos. A terceira será sobre o show.🙂 Agradeço de coração a presença de vocês.

    • Olá novamente, Virginia! Seu texto ficou realmente maravilhoso. Estou toda arrepiada com ele até agora. Foi nostalgia, puxou as minhas memórias mais antigas mesmo. Aquelas lá de trás, que estão vivas e com tanta abundância de detalhes que parece que aconteceram ontem. Obrigada, Virginia, de coração🙂 Eu queria muito conhecer vocês duas, mesmo. Acredito firmemente que esse dia ainda chega. Pode estar próximo. Quem sabe eu não consigo visitar Minas este ano? Vai ser muito complicado (principalmente porque terei que viajar sem meus pais), mas quem sabe eu não consigo? Ver Paul mudou muita coisa em mim. Me tornei alguém mais… Não sei bem. Menos pessimista? Talvez, rs. Às vezes eu sinto exatamente isso. Eu provavelmente os conheci. Só pode. Não dá para explicar esse amor todo! Posso ter meu corpo aqui, mas minha alma vive os anos 60. Queria achar um modo de rever minhas vidas passadas. Algo assim. É uma curiosidade que nunca morre. Eu fico procurando semelhanças entre eu e eles. A cor favorita de Paul, por exemplo, é azul. A minha é azul desde criança. Fico os procurando na minha casa, inclusive. Um dia desses eu vivi uma verdadeira sessão nostalgia ao abrir uma velha caixa de papelão que estava guardada em algum canto da casa. Mas eu sabia bem o que havia lá – a coleção de CDs do meu pai. Foi incrível! Eles ficavam perfeitamente organizados em uma estante naquelas minhas memórias do começo dos anos 2000, quando eu era a criança mais inocente do mundo e ainda tínhamos um vídeo-cassete. Mas não foi só. Certa vez meu pai me disse que possuía “um CD original do John Lennon”. Pedi para que ele procurasse. Ele encontrou apenas o CD, sem a capa. Como estava velho, duas músicas não podiam ser reproduzidas. E não há quase mais nada gravado nele, mesmo sendo um CD original. Encontrei a capa. The John Lennon Collection – as letras, fotos, tudo! Ele tinha o CD desde os anos 80! Isso faz com que um sorriso surja nos meus lábios até hoje. Quem sabe se ele não tocou quando eu era criança? Talvez tenha sido o CD que plantou a semente.

      Abraços!

  7. Uma conversa agora com meus amigos norte mineiros. Barbosavl, obrigada por ter aceito meu convite para vir aqui. Esse agradecimento é para todos, claro. Obrigada por ter gostado! Ruy, minha mãe acertou na mosca, não é? Puro ciúme. Eu diria que a palavra melhor seria inveja. Sou mesmo muito invejosa. Mas é verdade o que falei. Honestas, todas as outras justificativas para meu comportamento. Mara, quase todos os Beatlemaníacos sentem essa proximidade com eles, como se tivessem sido colegas de escola. kkkk É algo que vem deles, eu não sei explicar. Eu tive uma vizinha que sentia algo assim pelo Robert Wagner. Ela o chamava de Waguinha, tão amiga se sentia. Era uma senhora casada de mais de 30 anos. E com isso todos nós da rua passamos a chamá-lo de Waguinha também. Mas não creio que poderia ser comparado com o sentimento pelos meninos Beatles que parece magia. Magia boa! E quando descobrimos pontos em comum?. Como esquecer o olhar brilhante de Patão ao me dizer que a mãe de John também se chamava Julia? Que nem a dele? E que o pai de Paul teve uma jazz band, que nem o pai dele, nosso querido GG? Essa consciência de que se tratavam de meninos comuns, com vidas como as nossas, os faziam ainda mais fascinantes. Pareciam comuns e não eram. Nós também poderíamos brilhar de alguma forma! Somos todos brilhantes..mas a maioria não sabe. Eles nos revelaram isso. Eu descobri recentemente que faço anos no dia do aniversário do pai de Paul. Já sabia que era junto com Ringo. Estou sempre descobrindo similaridades. Os móveis da cozinha da antiga casa de Paul são iguais aos da nossa cozinha aqui. A porta da mesma cor. O número do telefone dele se parecia com o o nosso número. O dele. 6922. O nosso: 921. Ante ontem descobri que ele tinha um disco em casa que eu também tinha. Coisa mais comum, não é? Menos para nós. Não era um disco popular que todos tinham. Lembro que aqui em casa só eu gostava. Depois meu irmão chegou falando que era bom e todos passaram a gostar. A trilha do filme West Side Story. Marcou minha vida aquela trilha por diversos motivos. E a música Somewhere virou quase uma espécie de oração, com essa vontade de que exista um lugar onde possamos ser felizes. Pois apenas Paul entre eles tinha o mesmo disco. E foi bem essa música que o inspirou a escrever There’s a Place. Existe um lugar. Sim, Mara e amigos. Tem de existir um lugar para onde possamos ir, quando sentimos tristes. Um lugar sem preconceitos, numa nova matrix. Eta vontade. Para mim, o sonho não acabou.

  8. Pingback: “I’ll be back!” (Parte II) | The Beatles College

  9. Pingback: “I’ll be back!” (Parte III) | The Beatles College

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