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John Lennon era mesmo um sonhador

Texto de José Inácio Werneck

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Quando John Lennon compôs Imagine, em 1971, era difícil supor que, quase meio século depois, seu sonho estivesse cada vez mais fora do alcance da humanidade.

Em português, “céu” é usado indistintamente para significar tanto o firmamento quanto o paraíso, mas na linguagem coloquial em inglês, como está na letra de John Lennon, há uma clara distinção entre “sky” e “heaven”.

Lennon queria um mundo em que o céu fosse apenas o vasto espaço sobre nossas cabeças, povoado por estrelas e galáxias.

Recusava a estreiteza do mundo religioso que recompensa os crentes com a bem-aventurança eterna, em meio à mais completa glória, e pune os descrentes com horríveis sofrimentos sem fim, em meio às chamas do inferno.

Quando seu discípulo João lhe pergunta onde está o caminho, Jesus responde: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém chega ao Pai, a não ser por meu intermédio”.

Este é um dos pontos da doutrina protestante em que empaco. A diferença entre dobrar à direita, para o paraíso, e dobrar à esquerda, para o inferno, pode estar tão estreitamente definida?

Mas de 1971 para cá o fundamentalismo, seja ele cristão, judaico ou muçulmano, só fez crescer.

É impressionante – e mesmo assustador – por exemplo, ver nos Estados Unidos o número de pessoas que acreditam que o mundo foi criado exatamente como está na Bíblia, em sete dias, com, primeiramente, Adão, depois Eva, tirada de sua costela, a maçã e a serpente.

O Estado de Israel, implantado por potências cristãs para aliviar sua consciência pesada pelo holocausto, mas à custa de territórios onde viviam muçulmanos, em nada contribuiu para aliviar a tensão entre as três grandes religiões monoteístas.

É sintomático que, ainda hoje, a imprensa árabe, quando se refere aos ocidentais, os chame, frequentemente, de “cruzados”.

Sim, as cruzadas da Idade Média, as expedições de cristãos europeus contra o Levante habitado por muçulmanos, permanecem vivas em suas memórias.

Nos dias mais atuais, a história do colonialismo europeu na região, em especial por parte de ingleses e franceses, e modernamente a contínua ingerência dos americanos, motivada sobretudo pela sede de petróleo, só contribuíram para agravar as tensões.

Às tensões religiosas, sobrepõem-se os conflitos raciais, pois a maior parte do mundo islâmico é de pele escura.

O atentado ao semanário Charlie Hebdo é um pequeno capítulo numa história que só tende a se agravar.

“Imagine all the people living life in peace…”

John Lennon era mesmo um sonhador.

Fonte: Correio do Brasil

 

6 Respostas para “John Lennon era mesmo um sonhador

  1. Muito a propósito as considerações do José Inácio Werneck. Sonhar com paz no mundo parece um sonho impossível. Mas se lembrarmos que nada é real, conforme o próprio John também falou e que é falado há muito pelos metafísicos, pode ser que consigamos sair dessa matrix planejada para o sofrimento. Eu ainda não tenho as orientações práticas. Só as teóricas. Quem tiver, por favor, me ensine.

  2. Não tenho mais lágrimas para chorar com esse texto…😢

  3. Sabe algo bom para se fazer? Realmente imaginar. Com convicção. Ver na mente o paz finalmente instalada no mundo. Eu faço dessa música uma espécie de oração. E costumo ir acrescentando coisas.. Imagino um mundo sem preconceitos! Sem especismo! Vou criando. Sem posses é bom…não foi fácil eu imaginar isso. Mas quando consegui eu adorei.

  4. Se todos, sem excessão, sonhássemos, com vontade mesmo, por um mindo melhor, a paz poderia acontecer… Mas, a medida que o tempo passa, vamos perdendo a capacidade de sonhar, tamanha é a dificuldade do dia a dia… Por isto escuto “IMAGINE” todos os dias…para não perder a capacidade de sonhar…

  5. John Lennon era o cara.Para mim ele sempre irá será lembrado.

  6. Quer dizer ele É O CARA.Sua vida e obra ainda prevalece e sempre prevalecerá!

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