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Turnê Out There 2014 – Paul McCartney em Brasília

10626333_862376833793409_2324251530107530812_oDifícil classificar um show de Sir Paul McCartney. Todos eles nos levam a estados oníricos. Somos tomados de extremo bem-estar. Irradiamos a certeza de não termos desperdiçado nossa paixão, nosso amor, com algo que não fosse encantador, universal, atemporal.

Em 23 de novembro de 2014, em Brasília, não foi diferente. E nós, pela quinta vez em shows de Paul no Brasil, estivemos lá.

A chuva castigou o dia todo, uma garoa insistente e fria, a começar pelos duzentos e poucos quilômetros que separam Goiânia de Brasília. Mas ela não foi o bastante para que viventes, felizardos, picados pela magia beatle, desistissem da aguardada empreitada.

O estádio Mané Garrincha é bem ao estilo de um ginásio. Suas arquibancadas, quase paredes de um copo, não são lá a estrutura que permita uma fácil locomoção e conforto. Funcional, mas exigente quanto a uma boa forma física (ou juventude), e quanto a uma certa resignação de sardinha na lata, para acomodação e curtição do espetáculo em questão. Ainda bem que, neste caso, não era simplesmente um espetáculo, era um show de Paul McCartney.

Isto posto, o resto foi deixar o dia-a-dia nos portões do estádio e absorver, límpidos receptáculos, a magia que inevitavelmente exalará de um palco onde Paul estará.

E com referências a todo o universo beatle – explosão perene que ilumina e colore o mundo há várias décadas -, damos de cara com James Paul McCartney e a sua (de certa maneira quase nossa também) história.

Jovial, pois 72 anos, para quem faz o que gosta com competência, dedicação e arte aliados à maestria em semear seu ofício, são como ausentar o corpo e a mente das ações do tempo. Político honesto – sim, nesse caso é possível -, perfeccionista, bem-humorado e atencioso, ele nos faz descobrir, logo nos primeiros acordes, o porquê da sua benção em ser o porta-voz de uma geração na qual all you need is love. Ele nasceu para isto.

O cara, lá no fundo.

O cara, lá no fundo.

E então 46 mil pessoas, de todas as faixas etárias, puderam se emocionar e cantar junto dele. Alguns relembrando momentos com olhos marejados – porém brilhantes -, outros prontos para embeber o espírito com o espanto de canções certeiras e cativantes, impossíveis de, agora em diante, serem esquecidas. Tatuagens gêmeas da pele.

Ouvir Hey Jude novecentas mil vezes, ou mais, é recarregar o refil da saúde do coração.

E comprova-se mais uma vez: tudo que tem por base coisas essenciais – quase que esquecidas pelo mundo contemporâneo -, como a sinceridade, respeito, criatividade, enaltecimento das relações humanas e a música – na sua mais cativante construção e mensagem – jamais serão algo da moda ou passageiras.

Por isso, não é difícil imaginar qual é a minha trilha sonora e a dos meus filhos. Quem pode duvidar da alegria da minha neta, de um ano e sete meses, ao cantar comigo Love Me Do todos os domingos?

Mané Garrincha escreveu o futebol com as pernas tortas. Paul McCartney, domingo passado, continuou a escrever a música com a mão esquerda. Saímos de lá com os olhos vidrados.

Ademais, quem quer ser admirado veste roupa fina e de grife. Quem quer ser amado veste uma camiseta dos Beatles.

Por Carlos Edu Bernardes
@careduber

9 Respostas para “Turnê Out There 2014 – Paul McCartney em Brasília

  1. Carlos Edu, você me fez chorar aqui…Chorar? Deveria haver outro nome para isso. Chorar parece sempre ser de tristeza. Meus olhos agora estão umedecidos ( tive de parar de escrever para enxugá-los) de pura emoção. Três motivos: primeiro porque eu estava lá em Brasília. Tive a felicidade de viver tudo que você escreveu. Estou preparando um texto que será pelo menos em três partes…Tanto tenho a dizer. Mas você já disse o essencial, o mais importante. E esse é um outro motivo para as águas bentas escorrendo pelos meus olhos: suas palavras de amor. Sim, você fez aqui uma texto de amor. Universal! E finalmente. mais um motivo: Paul e sua magia. Ao ler seu texto, revivi a sua presença, a sua música emocionada pelo que ele representa dentro e fora do palco. Saiba que houve um momento ali que senti o significado do Somos todos Um. Eu temia que, por escolher ficar nas cadeiras ( aos 66 anos não me atrevi a ficar em pé por três horas na pista) o veria de longe, não seria tão legal. Ledo engano. Claro que estar de pertinho com certeza ainda é melhor. Mas ele conseguiu fazer com que todos 46.000 presentes se unissem numa só alegria…Corações palpitando juntos, respirando o mesmo ar…Você, eu, ele…minha amiga Leila em algum lugar…e todo o mundo. Eu vi o que é a tal fraternidade humana. Não fazia diferença estar ou não junto ao palco. Longe é um lugar que não existe, Edu. Éramos todos um só. Todos com ele. e ele conosco. Eles..N ão podemos nos esquecer daqueles bravos e fantásticos se nhores que.compõem a banda. E que telão primeiro mundo. É ele mesmo sendo projetado em tamanho gigante. Já devo ter contado o que vou falar agora …mas vou falar de novo e falarei também no meu texto. Me lembrarei disso todos os dias como oração. Sem planejar, sem nem ver a hora que decido, abro os pulmões e o coração e grito: “Paul, I love you”. No segundo seguinte ao You, ele vira para onde eu me encontrava e também grita. “I love you”. Cheguei a pensar ter sonhado. Mas vejo minha sobrinha a meu lado de olhos assustados…”Tia, será que ele ouviu?” Com certeza não. Não tinha como ter me ouvido. Foi uma sincronicidade…uma mensagem dos anjos, sei lá. Foi mágico e verdadeiro. Paul nos ama, Carlos Edu. Ele ama o que faz, ama a música, ama a nós que o amamos. Porque é assim: o amor que recebemos é igual ao amor que fazemos.

    • É isso aí, Virginia! Emoções a mil com a magia beatle, onde quer que seja, pois Paul a leva no coração e nos presenteia com muita dedicação, atenção, amor e rock! Adorei o comentário e quero ler seu texto depois! 4FABeijos!

  2. Carlos Edu Bernardes. Você disse ou melhor escreveu que “Ademais, quem quer ser admirado veste roupa fina e de grife. Quem quer ser amado veste uma camiseta dos Beatles”. Concordo, porém eu não sei por quê diabos, quando visto uma camiseta dos Beatles ou de qualquer outra Banda de Rock que eu curta, as pessoas em geral olham com uma cara feia, por falta de cultura, inveja, despeito ou mesmo falta de respeito.

    • Beleza então, Anderson! Significa que ainda bem que não seremos amados por esses tipos de pessoas! Obrigado pela leitura e comentário! 4FABraços!

    • Anderson, pode apostar que por mim você seria amado, primeiramente, porque estaria mostrando sua opinião, seu gosto, sua cultura, sua personalidade, e também porque quando eu vejo uma pessoa com uma camiseta dos Beatles eu fico histérica! rsrs

  3. Nossa Edu… cada beatlemaníaco tem sua essência, mas na hora do show parece que nos tornamos um só! E ao mesmo tempo, nos sentimos únicos, por saber que do estádio lotado, lá estava você… sentindo aquilo tudo…
    Músicas que sempre foram especiais, quando ouvimos depois do show, têm um novo sentido, parece que elas nos transportam até o dia do show!
    E a vontade de voltar para lá e reviver as emoções que não cabem dentro de nós? Não importa o quanto o tempo vai passar, as emoções e aquele dia serão marcados para sempre em nossas vidas!
    Muito obrigada!

    • Não é? E é como eu digo, Mariana: “Felizes os que colocaram uma maçã no prato do toca-discos e mataram a sua fome de música”. A magia nunca vai parar e sou eu quem agradece pelo seu carinho, leitura e comentário. 4FABraços! Yeah!

  4. Lindo, lindo, lindo! Meus olhos brilharam quando eu li este texto, quase chorei. Sou fã dos Beatles há muito pouco tempo, mas eu sinto que sou fã deles desde que nasci, sinto que foi amor à primeira vista, e Paul, desde o começo, desde que vi seu desenho na música Lucy In The Sky With Diamonds, é meu favorito, não que eu também não ame o John, o George e o Ringo, mas senti que ele era especial pra mim, planejo ir a um show dele ano que vem, se ele vier (acredito que ele venha), vi parte do show dele em Fortaleza em 2013 pelo Youtube, a gravação era de pessoas que foram assistir, a qualidade não era tão boa, mas, mesmo assim, meu coração ficou a mil, meus olhos brilhavam e eu fiquei com uma vontade imensa de ir a um show dele.
    Infelizmente não conheço ninguém da minha família que seja fã dos Beatles e/ou do Paul McCartney, na verdade, não conheço ninguém pessoalmente ou que eu tenha contato, comecei a conhecê-los através da música de abertura da novela das nove (que eu nem assisto tão fielmente), portanto, é meio difícil conhecer quase tudo deles. Tudo o que eu sei sobre eles ou todas as músicas que conheço essa semana não é o mesmo que eu sabia semana passada e nem o que saberei semana que vem, mas eu tenho certeza que a cada semana estarei mais apaixonada por eles. Tenho apenas 14 anos, mas espero que daqui a muitos anos eu esteja cantando Love Me Do com meus netinhos também…
    Obrigada por esse texto lindo!!!

    • Que legal, Silvia! Obrigado pela leitura e pelo lindo comentário! Tenho certeza que você vai conhecer e se apaixonar cada vez mais pelos Beatles. Com a internet a gente pode ter vários assuntos e acesso a toda sua obra, isso é muito bom! Claro que você estará cantando músicas dos caras com seus filhos e netos, pois eles são eternos. Você pode também saber mais sobre eles nos meus blogs: http://www.beatlebox.blogspot.com e http://www.beatlesouttakes.blogspot.com . Caso tenha alguma dúvida ou queira saber algo que não encontrou sobre eles é só deixar uma mensagem! Mais uma vez obrigado! 4FABeijos! Yeah!

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