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Filme narra a viagem de um professor atrás de John Lennon

Mostra de Cinema de SP – 

Cena-de-Viver-e-Facil-com-os-Olhos-Fechados

‘Viver É Fácil Com Os Olhos Fechados’ não é sobre o encontro de um professor com o beatle, mas sobre o que acontece no meio do caminho.

Era 1966 e a ditadura de Francisco Franco ainda estava em voga na Espanha. Naquele ano, Antonio (Javier Cámara), um professor que ensina inglês aos seus alunos com músicas dos Beatles, viu pela TV que John Lennon iria a Almería, na Andaluzia, gravar um filme. Sem pensar muito, ele decide viajar até lá para conhecer o ídolo. Esse episódio, que de fato aconteceu, foi o mote para que o diretor David Trueba criasse Viver é Fácil com os Olhos Fechados (Vivir Es Fácil con los Ojos Cerrados, Espanha, 2013), filme vencedor de seis prêmios Goya, o Oscar espanhol, entre eles o de melhor filme, diretor, ator e trilha sonora. No ano que vem, o longa também pode concorrer ao Oscar de verdade, na categoria de melhor filme estrangeiro.

O maior desejo de Antonio é encontrar Lennon para pedir-lhe que os LPs dos Beatles tragam encartes com as letras das músicas. Ele mesmo, ao ouvir as canções, coloca as letras no papel, mas nem sempre consegue entender tudo. Com esse propósito, pega a estrada a caminho de Almería. O que seria apenas uma viagem para conhecer Lennon, no entanto, se torna a chance de bons encontros. Em uma parada em um posto de gasolina, Antonio conhece Belén (Natalia de Molina), uma jovem de 21 anos que diz estar a caminho da casa da mãe. Só bem mais adiante, saberemos o verdadeiro motivo de ela estar viajando. Um pouco mais tarde, o professor verá outro caroneiro na estrada. É Juanjo (Francesc Colomer), um adolescente de 16 anos com um penteado à la moptop dos Beatles, que saiu de casa porque seu pai, um militar, quer obrigá-lo a cortar o cabelo.

Juntos, eles formam um grupo divertido, que se entrosa durante as horas que passarão juntos até Almería, destino final de Antonio e apenas escala para os outros dois — Juanjo, na verdade, nem sabe bem para aonde está indo. Há um trecho engraçado da conversa do trio em que Antonio pergunta se os dois jovens gostam dos Beatles. Belén responde que sim e Juanjo diz que prefere Rolling Stones e Kinks, ao que Antonio para o carro num solavanco e o manda descer imediatamente. Mas é apenas brincadeira dele.

Os três continuarão juntos por um tempo em Almería, Juanjo trabalhando no bar do lugarejo onde Antonio e Belén se hospedarão, ela a convite do professor. É aí que se tornarão mais íntimos e será possível conhecê-los melhor. São, no fundo, três sonhadores. Para alguns críticos espanhóis, o roteiro exagerou no tom de ternura com que retrata uma história ocorrida durante o franquismo. Para outros, Trueba acertou ao focar em pessoas comuns que buscam seus sonhos em meio a um tempo difícil, já que as mudanças não aconteceriam sem os anônimos. O filme é realmente leve e às vezes soa ingênuo demais, mas é uma história boa de se ver, embalada por um clima de esperança juvenil.

Os três atores também estão muito bem no longa. Natalia de Molina ganhou o Goya de atriz revelação por essa atuação. Francesc Colomer não fica atrás. Javier Cámara (Os Amantes Passageiros), de Pedro Almodóvar está excelente, como de costume. As imagens, as cores e a produção bem feitas criaram uma atmosfera real dos anos 1960. Lennon, quando esteve em Alméria em 1966, filmou a comédia Como Eu Ganhei a Guerra. A estadia o teria inspirado a compor Strawberry Fields Forever, música que diz “Living is easy with eyes closed”, ou seja, Viver É Fácil com os Olhos Fechados, ótimo título para um longa que fala de sonhos em tempos difíceis.

Serviço:
Dia 29/10, às 10h e às 19h40 – Cine Sabesp
Rua Fradique Coutinho, 361 – Tel: (0/xx/11) 5096 0585

Fonte: Veja
Via: João Arnaldo

3 Respostas para “Filme narra a viagem de um professor atrás de John Lennon

  1. Pronto. Agora estou aqui emocionada. Isso é exatamente o que sinto sobre os Bealtes. O tanto que nossas vidas foram mudadas só de ouvir suas músicas, sentindo que cantavam para nós. Nenhuma outra banda teve tal poder sobre as pessoas. Por isso eu sempre falo que foram únicos. Num tempo de tantas bandas espetaculares ( a cada semana surgia um novo nome extraordinário) eles se destacavam por serem mais do que uma banda. Eram fenômeno. Lembro de uma vez em casa das primas…ouvindo Magical Mistery Tour… No final uma das primas na janela olhando o tempo…solta um suspiro e diz; ” Além de tudo ainda cantam.” Definiu perfeitamente o que sentíamos. A música não era o principal. Era um bonus. Eu perguntei, ” O que você diria que são em primeiro lugar?” E ela. ” Nem dá para dizer…Talvez filósofos , ” Essa realidade passou a ser um peso para eles, bem sei. No documentário “Imagine” vemos seu estado ao ver um andarilho perambulando por perto. Era amedrontador ter se tornado um verdadeiro messias ou algo do gênero para muitos. A conversa entre eles é curiosa. John nega ter escrito qualquer coisa para nós. Sempre escreveu para ele. Sendo de amor seria para Yoko – e naquele tempo fez realmente muitas canções para ela mas não apenas para ela – mas era sempre sobre sua vida pessoal. Se os outros gostassem tudo bem, ótimo, mas não foi…Ah, John, tarde demais. Teria de ter pensando nisso ainda em Hamburgo e desistido da banda. O rapaz – bonito de dar dó – lembra da música Carry that Weight bem apropriadamente…e John informa que era uma música de Paul, para surpresa do cara…Muitos pensavam que apenas John tinha letras significativas. De repente John faz algo que desfaz todas as negações que havia acabado de dizer. ” Está com fome?”, pergunta. Pois carrega o carinha para dentro de sua casa. Serve refeição para ele sentado na mesa da sala. E lá fica aquela beleza de homem sujo na ceia…ouvindo John tocando ao piano…Pronto. Aquela figura saiu de lá ainda mais enlevada do que nunca, mais consciente que tinha estado com um ídolo genuíno. Porque mais do que a música, eles nos tocavam também pelo que faziam,…Digo isso tudo porque agora vem esse filme sobre um professor que usava músicas dos Beatles em suas aulas…Eu faço isso! Tenho um aluno, um único aluno que vem aqui praticar inglês na minha casa…E ficamos analisando as músicas dos Beatles juntos. Bom, o professor segue para Almeria ao saber que John estava lá…e tantas coisas acontecem porque tem Beatles em tudo em nossa vida. Há uma música dos Beatles para cada ocasião. Nenhuma outra banda vive inspirando filmes, exposição de artes, poesia…eles são…nossa inspiração!🙂 Pode ser que alguma outra tenha inspirado um artista aqui e ali. Mas Beatles é uma constante…é geral! Ah…e o final do filme? Ele se encontra com John? Já quero saber o final.
    Lembrei que no final de sua vida John reconhece que ele, os Beatles, talvez fossem profetas ou algo assim. Mediuns. Comenta, com a aprovação de Yoko, que deviam receber de algum lugar não se sabe de onde…e passavam para musica o recebido, canalizado. Eu também acho que sim. Bom saber que o John também achava e foi capaz de aceitar e nos revelar. Parou de negar sua importância para a humanidade, como negou naquele dia com o rapaz em sua casa. Está na sua última entrevista para a Rolling Stone, a que devia ter virado livro no lugar da primeira onde mentia. Alías, nesse ele reconhece haver mentido na primeira. kkkkk

  2. Adorei o trailer. Adorei mesmo. Já me interessei bastante pelo filme. O problema vai ser achar legendado… Nunca pesquisei por filmes espanhóis no Google, eram sempre britânicos ou americanos, e algo me diz que só vou achar dublado. E eu odeio assistir filme dublado. Pausa para pesquisar… Não dei sorte. Nem legendado nem dublado. E nem adianta assistir na língua original. Se fosse inglês dava, mas espanhol… Se me jogassem na Espanha, eu morria de fome. Enfim, esperar até que alguém legende ou pelo menos duble o filme, porque só com o trailer, já estou louca para assistir! Alguém sabe de algum lugar em que eu possa encontrá-lo online? Porque adorei!

    Abraços.

  3. João Arnaldo

    Puxa vida !! Faltou a citação à excelente matéria do grande BeatleLado, acerca desse período de John na Espanha (Almería):

    https://beatlescollege.wordpress.com/2012/09/18/john-lennon-e-a-casa-mal-assombrada-na-espanha/

    Abs.

    João Arnaldo.

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