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A história por trás da canção “I Want You (She’s So Heavy)”

i_want_you_by_jeresy-d49qo94A letra de “I Want You”, que consiste apenas na repetição do título e na informação de que o desejo está enlouquecendo John, chegou a ser citada no programa de atualidades da BBCTV 24 Hours como um exemplo das banalidades da música pop. John se enfureceu, pois estava convencido de que sua simplicidade a tornava superior a “Eleanor Rigby” e “I Am The Walrus”. Para ele, não se tratava de uma involução para o pop monossilábico e descuidado, era apenas economia de linguagem. “I WantYou” foi escrita como uma canção de amor para Yoko. John admitiu a influência que ela teve em seu novo estilo de compor e disse que pretendia um dia escrever a canção perfeita: com apenas uma palavra. Um poema de Yoko de 1964 consistia apenas na palavra “water”.

“I Want You (She’s So Heavy)” – Eu Te Quero (Ela é Tão Pesada) é uma das gravações de estúdio mais complexas que os Beatles realizaram. Começou a ser gravada em fevereiro de 1969, no Trident Studios, mas só foi concluída em agosto, em Abbey Road, depois de uma infinidade de edições e vários overdubs. “I Want You” é um excelente exemplo do apetite insaciável do grupo para usar as últimas novidades técnicas de gravação em uma constante busca por novos sons no mundo de gravação e da tecnologia.

Lennon parecia decidido a combinar alguns dos sons mais pesados da época, como Jimi Hendrix e Cream, usando um riff de blues encharcado com espessas camadas de guitarra, efeitos de sintetizador Moog, e uma minimalista melodia vocal.

roadDepois de 35 tomadas da faixa básica, uma edição foi feita dos três melhores takes, que apresentam uma série de mudanças de tempo, balançando alternadamente a partir de um, se arrastando, riff denso mais lento para um lounge quase jazz.

Lennon imita sua própria melodia vocal, dobrando as notas de sua guitarra. As mudanças na intensidade da voz de Lennon, vão desde um sussurro dolorido para gritos rudes da alma, repetindo segudamente os versos simples da canção, “Eu quero você / Eu te quero tanto, querida / Eu quero você / Eu te quero tanto / isso me deixa louco / isso me deixa louco.

O tecladista Billy Preston adiciona as texturas apropriadas através das muitas mudanças, a partir de um descontraído tom de notas de órgãos nas seções jazzy mais leves para uma arrogância durante os momentos mais pesados da canção. A banda apresenta uma fluidez impressionante, especialmente Paul McCartney, mostrando evoluções consideráveis na linha do seu baixo, pulsando um fluxo constante de notas de seus instrumentos através dessas várias mudanças.

Não foi até a sessão de 11 de agosto que Lennon introduziu a linha de guitarra de apoio, acompanhando poderosamente a letra cantada por Lennon, McCartney e George Harrison, aparecendo durante as últimas seções os riffs de guitarra pesados da canção. Os últimos três minutos são consumidos por um redemoinho das guitarras e overdubs em muitas camadas usando recursos de rastreamento de estúdio recém-expandidas. Lennon também construiu um redemoinho monstruoso de som denso usando um dos primeiros sintetizadores Moog combinado com um gerador de ruído branco. Com as guitarras agitadas martelando, a parede de ruído branco, eventualmente, começa a engolir o resto da música antes que a faixa seja encerrada de forma dramática, deixando um silêncio ensurdecedor.

No passado, Lennon disse que a fita tinha simplesmente corrido para fora, criando esse final único, mas desde então essa versão tem sido refutada pelo engenheiro sessão, Alan Parsons, no livro detalhado de Mark Lewisohn “The Beatles Recording Sessions: The Official Abbey Road Studio Session Notes”, recordando: “Nós estávamos colocando os últimos retoques para fechar o lado 1 do LP e fomos ouvir o mix. John disse: ‘Não! Cortem a fita aqui! E Geoff Emerick cortou. Fim do lado 1. O seu final abrupto, editado propositalmente por John, também foi, na época, muito comentado por ser inusitado em termos musicais”.

Outra coisa interessante nela é a duração de quase oito minutos: um tamanho desproporcional para as canções dos Beatles, só ficando atrás de Revolution 9. Participaram das sessões de gravação: John Lennon: vocal, vocalização, guitarra solo, sintetizador moog, efeitos sonoros, órgão Hammond; George Harrison: guitarra, vocalização; Paul McCartney: baixo, vocalização; Ringo Starr: bateria e Billy Preston: órgão.

Fonte: O Baú do Edu

5 Respostas para “A história por trás da canção “I Want You (She’s So Heavy)”

  1. Ah, se eu fizesse uma lista com minhas favoritas, I Want You estaria lá. A canção é incrível e a minha favorita de todo o Abbey Road. Lembro como se fosse ontem da primeira vez que eu a ouvi – foi tão surpreendente como ouvir I Am The Walrus, então não vou esquecer tão cedo. Eu estava meio que “avisada” – sabia que a música era excitante e que seria encerrada abruptamente, mas quando eu ouvi… Deu vontade de cantar, gritar, dançar. Foi incrível. Cativou do início ao fim, me apaixonei de cara. Eu estava cativada por aqueles riffs de guitarra e eram só eu, a música e os vocais maravilhosos. E é mesmo longa se considerarmos os 3-5 minutos do tamanho usual das músicas dos Beatles. Incríveis oito minutos de pura euforia. Até… Um inacreditável silêncio ensurdecedor. Levei um susto tão grande que acho que cheguei a saltar. “O que aconteceu?! O fone quebrou?! O celular passou a música sozinho DE NOVO?! Parou sozinho?! Estragou?!”… Aí eu entendi🙂 “Ah.”

    Abraços.

  2. Essa musica é com certeza uma das melhores musicas dos Beatles, ela é simples, mas é possível encontrar tudo que se precisa em uma boa música ! 😍❤️

  3. I want you é aquela música que faltava para completar o catálogo de diversidade dos Beatles. Um festival de guitarristas maduros, marcados pelo tempo. E uns vocais… de emocionar qualquer um!

  4. I Want You… ao ouvi-la no formato mp3, no CD, eu a achava extremamente diferente, achava ela mágica, intrigante, e ficava extasiada.
    Recentemente tive o prazer de ouvi-la no vinil. Posso dizer que essa foi uma das melhores experiências que tive em minha vida, poxa, é aquela coisa de “Cara, cadê o resto da música? Porque acabou repentinamente? Quero mais!”, e quando viro o disco, depois de toda a agressividade de I Want You, vem a calmaria Here Comes The Sun. Não existe perfeição maior que Beatles, sem mais.
    Ah, e uma pergunta: Acho a melodia de I Want You parecidíssima com a de Because. Tem alguma coisa ai? (Não sei quais palavras usar para explicar o conceito de “alguma coisa ai”)

  5. Sem dúvida que é fantástica. Eles piraram completamente, no melhor sentido do verbo “pirar”. As vezes penso que eles sabiam que estavam no fim então, que terminassem indo além do imaginável. Eles foram além, como se fosse possível. E foi possível. Mostraram que faziam tudo. Era tempo de um rock pesado, .Pois entraram naquele clima superando o que já existia, Uma obra prima num disco obra prima. Saíram de cena de cabeças erguidas e coroados de louros. Também mostra como os Beatles eram coesos. Uma verdadeira banda onde todos eram fundamentais. A musica é de autoria de John. A resultado final é de autoria dos Beatles. Vejam que beleza o baixo de Paul. Que beleza todas as vozes unidas, a guitarra de George, a de John, e a contribuição de Ringo. E como John mergulhou fundo, Teve ainda Billy Preston entrando no clima. John jamais teria produzido algo tão forte sem os outros três. Agora…eu não sinto que tenha sido para Yoko. Sei que John falou que sim, mas também falou alguma coisa de sentir como se estivesse se afogando…Quando estamos afogando apenas gritamos por socorro. Quem sabe a declaração inteira? Cá pra nós, Yoko já estava com ele há cerca de dois anos. Para que dizer I want you? E ela é tão pesada! Yoko tão pesada? além disso é “eu quero você…Ela é tão pesada.” Duas pessoas. Se bem que pode ser. Diz para ela que a quer. E diz para nós que ela é pesada. Mas quem? Era um relacionamento de tormento! Era tão ruim assim com Yoko? Ele diz estar ficando louco. Não precisava tanto desespero, pois Yoko também o queria. O que sinto é que John está cantando sobre seu relacionamento torturante com dona Heroina! Apenas dizendo o que sinto e faz o maior sentido para mim. Claro que ele não falaria. Eles, apesar de muito avançados, não eram de contar tudo não. Para entende-los um pouco melhor é preciso ignorar o que falam nas entrevistas e ouvir o que cantam e tocam. É ali que está a verdade. Um horror a dependencia das drogas. E apesar disso, eles sempre querem. Mais tarde ele falou abertamente sobre isso em Cold Turkey. Entendo se discordaram. É apenas o que sinto. Faz todo sentido para mim. Mas o bom mesmo é não pensar nos significados. É entrar nas músicas que nos deixaram, voar com elas, respirá-las, vivê-las…elas sempre tem algo especial para cada um de nós. Para quem compunham? Para nós.

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