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O Everest, quem diria, acabou em Abbey Road

Há 45 anos, no dia 26 de setembro de 1969, os Beatles lançavam seu 12º álbum: Abbey Road, titulo que se deveu aos problemas digestivos que Ringo Starr sofria desde criança, quando foi vítima de uma peritonite. Não fosse isso e o disco teria recebido o nome de Everest. Rádios inglesas, sobretudo as de Londres e de Liverpool, já programam tributos. Abbey Road foi lançado em meio a profundas divergências pessoais e comerciais entre os quatro beatles. Foi um dos mais belos álbuns da banda e a pá de cal no sonho dos anos 60.

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Confira AQUI toda a história por trás do disco “Abbey Road”.

Não fosse o estômago sensível de Ringo Starr, o 12º álbum dos Beatles teria se chamado Everest, numa metáfora ao esforço necessário para escalar uma montanha ou, em última análise, para subir na vida. Everest era também a marca de cigarros que o engenheiro de som da banda, Geoff Emerick, fumava na época. Difícil saber o real motivo desse nome. É certo, porém, que os quatro rapazes já se preparavam para viajar ao Tibete, onde fariam uma sessão de fotos para ilustrar a capa do novo disco. Foi exatamente  nesse ponto que o estômago fraco de Ringo entrou em cena.

Feijão em lata – O baterista abominava a ideia de viajar e voltar a encher malas e malas com feijão enlatado, a única coisa que conseguia comer durante suas crises digestivas. Fizera o mesmo quando os Beatles foram juntos meditar na Índia. Assim, como última e desesperada tentativa de demover seus companheiros da ideia de viajar para tão longe, Ringo arriscou: “Que se dane, vamos lá para fora e chamamos o disco de Abbey Road”.

Nascia aí a icônica capa do último disco gravado pelos Beatles que, no próximo dia 26, completará 45 anos. Vale lembrar que Abbey Road, situada no bairro de Camden, no noroeste de Londres, era o endereço dos estudios da EMI, onde a banda gravou boa parte desse e de vários outros álbuns. Abrir a porta do casarão e sair à rua era bem mais fácil do que ir ao Tibete. Duas outras propostas de nome para o disco surgiram antes mesmo de EverestFour in the bar e All good children go to heaven.

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Confira AQUI toda a sessão de fotos para a capa de “Abbey Road”.

Aceita a proposta de Ringo, às 10h do dia 8 de agosto de 1969, o fotógrafo Iain McMillan começou a clicar os quatro beatles atravessando a Abbey Road de lá para cá e de cá para lá. A sessão não durou mais do que dez minutos e entrou para a história. John Lennon de terno branco, Ringo de jaquetão preto, Paul de terno azul escuro e descalço e George Harrison de camisa e calça de brim. Para além das mensagens cifradas e mórbidas que muitos atribuíram a essa capa, Abbey Road está hoje na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame.

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Confira AQUI todos os mistérios por trás da capa de “Abbey Road”.

Mensagens cifradas e mórbidas?  Sim. Estava no auge a história de que Paul McCartney havia morrido em um acidente de moto e que um sósia, um tal William Campbell ou Billy Shears,  havia ocupado seu lugar na banda. As pistas dessa tragédia estariam estampadas na capa de Abbey Road, para quem quisesse ver.  O branco da roupa de John seria a  cor do luto, segundo as culturas orientais. Ringo e seu jaquetão preto seria o agente funerário. Os pés descalços de Paul indicariam sua morte. George, todo de jeans, era o coveiro.

Fusca e o acaso – E havia mais mensagens. A placa do fusquinha branco 1968, à esquerda na imagem, seria outra prova da morte de Paul: LMW 28IF teria o seguinte significado: Linda McCartney Widow (Linda McCartney viúva). O complemento 28IF (28 Se) significaria que Paul teria 28 anos se estivesse vivo.

E a imaginação ia além. O carro de polícia ao fundo e à direita, com um homem em pé a seu lado, seria a viatura e o oficial que teriam atendido o acidente de moto que matou Paul. Mais tarde, soube-se que o tal homem ao lado do carro era Paul Cole, que ficou famoso por uma enorme coincidência. Cole, que morava em Deerfield Beach, estava de férias em Londres com sua esposa. Ela quis visitar um museu que ficava na mesma rua e ele decidiu esperá-la pelas redondezas.

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Conheça melhor a história do ilustre desconhecido que aparece na capa de “Abbey Road”.

Em 2004, numa entrevista ao jornal Scripps Treasure Coast, Cole contou: “Como gosto de conversar, me aproximei de um policial que estava dentro de uma viatura e fiz algumas perguntas sobre Londres, para matar o tempo. Vi aqueles caras atravessando a faixa de pedestres como se fossem uma linha de patos. Para mim eram uns malucos. Não se andava em Londres com os pés descalços”. Um ano depois, em casa, quando sua esposa tentava tocar Something no órgão, Cole viu a capa de Abbey Road pela primeira vez e se reconheceu nela.

Depois do lançamento do disco, a placa do fusquinha, propriedade de um casal sueco que morava na região, foi roubada várias vezes, como um suvenir. Em 1986 o carro foi vendido em leilão pelo valor equivalente a US$ 23 mil. Hoje, o fusca está em exposição permanente no museu da Volkswagen, em Wolfsburg, na Alemanha.

Beatlemaníacos sempre tiveram dificuldades para eleger o melhor disco dos Beatles. São várias as apostas e vários os argumentos. Mesmo assim, Abbey Road pode facilmente estar entre os melhores, e por algumas razões especiais. As sessões de gravação reuniram quatro beatles relativamente mais camaradas uns com os outros, George Martin tinha voltado a produzi-los e havia avanços tecnológicos, entre eles o sintetizador Moog, introduzido no estúdio por George Harrison, que adorava girar seus vários botões aleatoriamente.

Surpresas – Do ponto de vista musical, muita qualidade e surpresas. George pareceu ter escapado da camisa de força da dupla Lennon e McCartney e contribuiu com duas preciosas canções: Something e Here comes the sun. Em relação a essas duas músicas, duas curiosidades. Em Something, por falta de mais espaço na fita de gravação, George teve de fazer seu solo de guitarra ao vivo, junto com a orquestra, em apenas um take. Em Here comes the sun, uma surpresa apenas revelada em 2011 pelo produtor George Martin e seu filho Giles a Dhani Harrison, filho de George. Trata-se de um solo de guitarra que foi suprimido na mixagem final da faixa. Veja o vídeo:

Outra novidade era o lado B do vinil original, editado como se fosse uma única música. A proposta de um medley  foi de Paul e aceita pelos demais, apesar de alguma resistência. Em The End, Paul, John e George promovem uma espécie de desafio de guitarras, soladas com esmero pelos três, ao vivo, em um só take. O resultado final do álbum é magnífico e quase encobre as desavenças pessoais e as brigas de egos que dissolveram a banda e decretaram o fim do sonho dos anos 60. Agora só resta ouvir Abbey Road e comemorar seu 45º aniversário.

P.S. – Se Abbey Road é o último álbum gravado pelos Beatles, por que ele saiu antes de Let it Be, o último a chegar ao mercado? Razões mercadológicas e idiossincráticas fizeram com que as fitas de Let It Be, disco gravado antes, fossem engavetadas e só transformadas em disco em 8 de maio de 1970. Ou seja, Let it Be já estava pronto quando Abbey Road foi gravado e lançado.

Fonte: Estadão

Veja mais curiosidades sobre o disco “Abbey Road”.

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2 Respostas para “O Everest, quem diria, acabou em Abbey Road

  1. Excelente post. Completíssimo… Por enquanto. As ”teorias conspiratórias” desse disco parecem ser infinitas!

  2. E como há “verdadeiras” histórias voando por aí. Muito bom saber de mais uma fantástica participação da maior importância de Ringo. Deu uma dentro porque o nome Abbey Road nem se compara com Everest. Muito melhor. Confesso que já me cansei da necessidade que alguns parecem ter de picharem John e Paul sempre que querem elogiar George. Pessoas presas num passado nebuloso. E se havia ‘camisa de força”, era de má qualidade, visto que George sempre brilhou e de forma alguma só demonstrou sua força em Abbey Road. O autor por certo não conhece “When my Guitar Gently Weeps” do álbum branco. Nem Blue Jay Way de M.M;T. E nem Taxman de Revolver.. Nem “I need you” de Help. ” Nem If I needed somones” de Rubber Soul…e por aí vai. Mas eu gostei da reportagem por tudo o mais. Para encerrar.,..o que diziam era que Paul teria morrido em 66. Como então Linda seria viúva se ainda não tinha entrado na história? 🙂 Por aí vemos como essas provas são inventadas.

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