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Brian Epstein, o descobridor dos FabFour

Há 47 anos, Brian Epstein, empresário e descobridor dos Beatles, era encontrado morto em seu quarto. O “5º Beatle”, como é considerado por muitos, tinha 32 anos e a causa da morte foi overdose acidental de Carbitol, um medicamento para insônia, misturado com álcool.

Os Beatles receberam a notícia de sua morte em Bangor, enquanto estavam meditando com o guru Maharishi Mahesh Yogi.

Apesar de se tornar famoso por ser o empresário dos Beatles, Brian também empresariou várias outras bandas, como Gerry & The Pacemakers, Billy J. Kramer and the Dakotas e a cantora Cilla Black.

A Revista Veja publicou em sua edição eletrônica, o que seria uma “entrevista imaginária” com Brian Epstein, para contar toda a sua trajetória desde quando era apenas o gerente da loja de discos NEMS, até a explosão da Beatlemania e a conquista da América:

O Mentor da Revolução 

O empresário dos Beatles conta como descobriu a banda e explica qual foi a transformação a que submeteu os rapazes para transformá-los em astros internacionais: “Eles são muito inteligentes” 

Brian Epstein era o gerente da loja de discos North End Music Store (NEMS), em Whitechapel, Liverpool, quando um rapaz entrou e pediu um disco dos Beatles, em outubro de 1961. Ele não conhecia a banda, mas aquele nome ficou guardado em sua cabeça. Duas semanas depois, estava no Cavern, um pub sujo e apertado, para assistir a um show dos Beatles em plena hora do almoço. Brian ficou apaixonado pelo carisma dos rapazes e, então, tornou-se o empresário do grupo. Foi graças a ele que os Beatles começaram a se profissionalizar. Mudaram antigos hábitos, como o de comer e fumar no palco, e passaram a usar ternos – tudo com o dedo e a visão de Brian. Foi ele também o principal articulador da bem sucedida viagem dos Beatles aos Estados Unidos.

VEJA – Quando o senhor conheceu os Beatles?
Epstein – Foi em 1961. Era um sábado qualquer, no fim de outubro. Um garoto veio à minha loja e pediu um disco de um grupo chamado The Beatles. Sempre foi a nossa política considerar todo e qualquer pedido. Escrevi num bloco de anotações: “My Bonnie. The Beatles. Verificar na segunda-feira”. Nunca tinha dado bola para nenhum grupo beat de Liverpool, na época tão populares nos clubes. Não faziam parte da minha vida, porque eu estava além da faixa etária do grupo, e também por estar sempre muito ocupado. O nome “Beatles” não significava nada para mim, se bem que eu lembrasse vagamente de tê-lo visto num cartaz de publicidade anunciando uma noite dançante no New Brighton Tower, e tinha achado a grafia esquisita e despropositada.

VEJA – E depois disso, o que aconteceu?
Epstein – Na segunda-feira, antes mesmo de eu ter tempo de checar o pedido, duas garotas entraram na loja e pediram o mesmo disco. Muito se especulou sobre isso até agora, mas este foi o número total de pedidos do disco nessa época em Liverpool: três.

VEJA – Foi o suficiente para o senhor se interessar pela banda?
Epstein – Para mim foi o bastante. Eu achei que era significativo: três pedidos de um disco desconhecido em dois dias. Havia alguma coisa aí. Na época, eu estava interessado no panorama musical de Liverpool. Cheguei até a escrever um artigo sobre isso para o Mersey Beat, um jornal quinzenal de música popular, fundado por Bill Harry, um estudante da escola de arte e amigo dos Beatles. Acho até que eles já tinham ouvido falar de mim.

VEJA – E o que o senhor fez então?
Epstein – Fiz contatos e descobri o que não tinha percebido ainda: que os Beatles eram um grupo de Liverpool, que acabara de retornar do extremo quente, úmido e sujo de Hamburgo, onde haviam tocado em clubes barra-pesada. Aí uma garota que eu conhecia me disse: “Os Beatles? São o máximo. Estão no Cavern esta semana”. Então fui lá conferir.

VEJA – E como foi o encontro?
Epstein – Foi estranho no começo. Fui até o camarim improvisado e cumprimentei os rapazes. Eles foram educados, mas pouco receptivos. Acho que já sabiam do meu interesse em empresariá-los, mas não quiseram demonstrar que estavam interessados também. Ficaram na defensiva, mas eu sabia que eles estavam empolgados com a ideia.

VEJA – O senhor então se tornou o empresário dos Beatles, e decidiu mudar a postura da banda. Como foi essa transformação?
Epstein – Acho que os tornei mais profissionais. Os Beatles são muito inteligentes, sagazes, mas não eram requintados. Trouxe isso para eles: elegância, habilidade organizacional e dinheiro. Primeiro, estimulei-os a tirar as jaquetas de couro e, então, proibi que aparecessem de jeans. Depois disso, fiz com que usassem suéteres no palco e, por fim, com muita relutância, ternos. Não tenho certeza, mas acho que o primeiro terno foi usado para uma transmissão ao vivo da BBC. Ah, e proibi que eles fumassem e bebessem no palco também, hábitos pouco condizentes para uma banda que busca o sucesso.

VEJA – Como surgiu o seu interesse pela música beat?
Epstein – Meus pais eram proprietários de uma grande cadeia de lojas de móveis sediadaem Liverpool. Portanto, desde criança, fui criado para administrar o negócio deles. Eu estudei na Academia Real de Arte Dramática e sabia que tinha que trabalhar em algo ligado ao meio artístico. Tornei-me gerente da NEMS e acabei transformando a rede de lojas de discos em uma das maiores do norte da Inglaterra. Há uns dois anos, mais ou menos, notei que houve um aumento muito grande na procura pela música beat, típica das bandas de Liverpool. Achei então que empresariar os Beatles seria um projeto interessante.

VEJA – O senhor foi o principal responsável pela ida dos Beatles aos EUA. Por que achava que ela seria tão importante assim?
Epstein – Sabia que os Estados Unidos podiam nos promover ou acabar conosco. Então, tivemos que montar uma grande estratégia para tornar os Beatles conhecidos na América, antes mesmo de eles chegarem. Fizemos uma campanha publicitária forte, nas lojas de discos e nas rádios dos EUA, puxada por um disco que acabou conquistando o gosto dos americanos.

Fonte: Veja na História

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5 Respostas para “Brian Epstein, o descobridor dos FabFour

  1. João Arnaldo

    Interessante a brincadeira da VEJA. Para quem quiser ler todas essas informações, elas foram retiradas da autobiografia do Brian: “A Cellarful Of Noise”.

    Intreressante, também, observar que o ponto que sempre foi questionado é a declaração de Brian de que ele nunca tinha ouvido falar dos Beatles. Vejam, entretanto este trecho: “Cheguei até a escrever um artigo sobre isso para o Mersey Beat, um jornal quinzenal de música popular, fundado por Bill Harry, um estudante da escola de arte e amigo dos Beatles. Acho até que eles já tinham ouvido falar de mim.”

    Sei. Ele nunca ouviu falar deles, mas eles já deviam ter ouvido falar dele?! Os Beatles viviam sendo citados no tal “jornalzinho”.
    Mas até aí… a Yoko até hoje declara que, EM 1966 (!), nunca tinha ouvido falar dos Beatles…

  2. Fernanda Dantas

    João Arnaldo, o Epstein não tinha ouvido falar dos Beatles até meados de julho de 1961, quando conheceu o grupo através da revista/jornal Mersey Beat, o que coincidiu com a procura do álbum My Bonnie. Mas os Beatles já conheciam Brian, pois por várias vezes os rapazes ficavam na NEMS ouvindo música nas cabines sem comprar nada, comportamento reprovado pelo gerente.

  3. Pingback: 01 de Fevereiro no dia-a-dia dos Beatles | The Beatles College

  4. Isso mesmo, Fernanda. O departamento da loja de discos da NEMS era ponto obrigatório da juventude de Liverpool. Por causa da música, claro.Além disso, se Brian tinha escrito um artigo para o Mersey Beat, pode ser que tenham lido. John era muito amigo de Bill Harry e me parece que até colaborou no lançamento do jornal. Eu só não sei como podem ter certeza que sua morte foi acidental. Ninguém estava la para ver. Pode ter sido proposital. Estranho ele ter ingerido tantos remédios sem saber que poderia morrer.

  5. Estava me esquecendo. Brian também tirou deles o hábito de mascar chicletes enquanto cantavam. E os ensinou a agradecer ao público se curvando no final. Até hoje Paul faz isso. Bom aluno. Uma curiosidade é que Andrew Oldham trabalhava com Brian. Saiu para ser empresário dos Rolling Stones e fez o oposto. Ensinou os meninos stones a serem mal educados. Tirando fora Keith Richards, todos eles eram meninos até bem comportados com bom backgrouns. Mick era universitário. Ensaiaram as faltas de modos como assoar o nariz no guardanapos dos restaurantes, urinar em público e coisas assim que os Beatles jamais fariam. O motivo seria conquistar a juventude mal educada, já que os Beatles, mesmo revolucionários na época, tinham bons modos…até certo ponto, não é? A idéia dos ternos foi sensacional. Nada mais avançado do que meninos de franjões usando ternos. Além disso saiam do convencional americano: jeans e roupas de couro. Aquelas imagens deles elegantemente de ternos com cabelões e cantando um som tão especial foi marcante em minha vida como algo único. Mas vejam que os Stones também usavam ternos no início. Era a cara da Swimming London.

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