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45 anos depois, entenda os mistérios por trás da capa de Abbey Road

Apesar de ter sido lançado antes de Let it Be (1970), Abbey Road foi o último disco gravado pelos Beatles, tendo chegado às lojas em 1969. Conhecido por trazer dois lados com pegadas diferentes – supostamente, o lado A agradaria a John Lennon, e o B, a Paul McCartney –, o álbum revela George Harrison como um virtuoso compositor (“Here Comes the Sun” e “Something”), além de mesclar a pegada blues/roqueira de músicas como “Come Together” com a psicodelia de faixas como “Because”.

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Confira a história por trás dos discos “Abbey Road” e “Let it Be“.

Se musicalmente Abbey Road revela-se um dos discos mais importantes da história, sua capa também se tornou uma das imagens mais icônicas da história da cultura pop. Com o nome do álbum homenageando a rua e ao estúdio de Londres, o grupo resolveu ser clicado andando sobre a faixa de pedestres, tornando o local um ponto turístico para os beatlemanícos.

Entenda melhor a formatação de umas das maiores capas do rock:

Ideia – Originalmente, o álbum seria chamado de Everest, o nome marca de cigarros que o engenheiro de som Geoff Emerick fumava o tempo todo nas sessões de gravação disco. O Fab Four chegou a pensar em ir às montanhas do Himalaia (foto) – as mais altas do mundo – para fazer a arte da capa.

Após pensar melhor, o grupo teve a ideia do que seria o protótipo da famosa imagem. De acordo com Brian Southall, autor do livro que conta a história dos estúdios Abbey Road, “há um desenho que Paul McCartney fez com quatro homenzinhos rabiscados atravessando a rua na faixa de pedestres”.

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Foto – Amigo próximo de Southall, Iain Macmillan conhecia os Beatles por trabalhos feitos com Yoko Ono. E para ele foi dada a missão de fotografar a capa de Abbey Road. Na manhã de 8 de agosto de 1969 – em pleno verão em Londres –, alguns policiais fecharam as ruas para que os músicos pudessem atravessar sem maiores problemas.

Em cerca de 15 minutos, Macmillan tirou seis fotos, enquanto os Beatles andavam de um lado a outro da rua Abbey Road, esquina com a Grove End, em uma região predominantemente residencial da capital da Inglaterra. As fotografias não utilizadas da sessão estão nos arquivos da Apple Corps, empresa fundada pelos Beatles.

Lenda sobre Paul morto – Foi Paul McCartney quem escolheu a imagem que estamparia a capa do disco. E o baixista, curiosamente, virou alvo de uma lenda criada em cima da foto: a de que ele estaria morto na época do lançamento do álbum. O mito levanta a hipótese de que McCartney teria sido vítima de um acidente de moto, em 1966. Alguns elementos na imagem de Abbey Road deram motivo, por muito tempo, para especulações.

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Logo de cara percebe-se que o baixista está com os olhos fechados; o passo trocado em relação aos dos companheiros de banda (com a perna direita na frente); além de segurar o cigarro com a mão direita, sendo que Macca é canhoto.

Pistas – Outros “indícios” são as roupas de cada um dos integrantes, como se elas fossem referências aos personagens de um funeral. No caso, McCartney seria o cadáver a ser enterrado (vestindo terno e com os pés descalços, lembrando um corpo quando é levado ao caixão); John seria o padre (de branco, com barba e os cabelos compridos); George, o coveiro (de jeans, roupas comuns); e, por fim, Ringo seria o responsável pela cerimônia (com um terno preto).

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Carros – Alguns dos carros que compõem a cena da capa de Abbey Road também endossam a teoria da morte do baixista dos Beatles. Um fusca, no lado esquerdo da imagem, tem na placa as letras “LMW”, que poderiam representar as iniciais da frase “Linda McCartney Widow” (em português, “Linda McCartney [então esposa do baixista] Viúva”). Além disso, embaixo das letras, há um “28IF”, no qual o “if” (que, em português, significa “se”) indica que Macca completaria 28 anos se estivesse vivo. (Na verdade, a placa seria 281F)

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Outro automóvel de destaque aparece ao lado direito. Há quem acredite que o carro preto seja um típico modelo usado em funerais. Sem relação com o mito de McCartney, um Triumph Herald de 1967 no lado esquerdo da imagem chama atenção por estar mal estacionado na calçada. Recentemente, após passar por seis donos, ele foi vendido por cerca de R$ 10 mil.

Paul Cole – Além dos Beatles, há uma outra pessoa em destaque na foto: um homem clicado, de pé, na calçada do lado direito. Posteriormente, ele foi reconhecido como Paul Cole, um turista norte-americano que só descobriu a presença dele na foto quando viu a capa do disco, tempos depois.

Conheça AQUI a história de Paulo Cole, que aparece na capa de Abbey Road.

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Capa sem nome – Na imagem acima, capas de alguns discos marcantes lançados no mesmo ano de Abbey Road, 1969. Todos eles trazem o nome do disco e/ou do grupo – uns de maneira mais discreta, outros de forma explícita. Fato é que no rock, até então, o nome do grupo era algo quase obrigatório na capa de um disco, e, justamente por isso, um dos elementos importantes da capa de Abbey Road é algo que não se vê: a capa não possui o nome nem do disco, nem do grupo.

De acordo com a BBC, isso aconteceu graças a John Kosh, à época diretor artístico da Apple Corps. “Eu insisti com a ideia de que não era preciso escrever o nome da banda na capa”, ele disse. “Eles eram o grupo mais famoso no mundo inteiro – a EMI disse que eles nunca venderiam sequer um disco se não estivesse explícito de que banda era aquele disco. Mas eu fiz do meu jeito, e assumi as consequências”.

Influência – A placa da rua que indica o nome – Abbey Road – sequer aparece na capa do álbum dos Beatles. E, mesmo assim, em 2007, ela teve de ser removida do local pela prefeitura de Londres por conta da alta incidência de pichações, roubos e rabiscos. Este é só um dos exemplos da importância que a fotografia da capa de Abbey Road deu ao local.

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Além dos milhões de fãs – e curiosos – que se fotografam atravessando a rua, a capa do álbum foi “imitada” e “reproduzida” por outros músicos e personalidades do entretenimento, de Kayne West a Red Hot Chili Peppers, passando até mesmo por desenhos animados. O próprio Paul McCartney, em 1993, lançou o disco ao vivo Paul is Live, desmentindo todo o mito da sua morte ao recriar a capa de Abbey Road contrariando todos os elementos. É possível dizer que o legado da imagem que ilustra o penúltimo disco dos Beatles é incalculável.

Confira aqui a história por trás da capa de “Paul Is Live”.

Fonte: Rolling Stone

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3 Respostas para “45 anos depois, entenda os mistérios por trás da capa de Abbey Road

  1. “supostamente, o lado A agradaria a John Lennon, e o B, a Paul McCartney”. Supostamente. E se é supostamente porque continuam divulgando algo que nem mesmo sabem se é verdade? O que me lembro de ter lido antes é que partiu de Paul a ideia de colar diversas músicas inacabadas dele e de John formando um medley. Isso não significa de modo algum que não seria do agrado de John. Afinal suas musicas estavam incluídas A diferença estava que seriam tocadas uma atrás da outra, coisa nunca feito antes. E assim mantiveram a tradição de sempre apresentarem algo inteiramente novo. Também não significa que Paul tenha desaprovado o lado A. Pode até ser que John tenha hesitado quanto a novidade no início. Mas, se assim aconteceu, mudou de pensar, ainda bem. Puderam sair de sempre fazendo lindamente o que sempre fizeram: inovando. Paul, naquele tempo, era um poço sem fundo de excelentes e criativas ideias. É isso que espanta…o que terá acontecido que fez com que, durante um bom tempo, tenha ficado vazio? Há quem afirme que foi devido a falta de John. Que sem John ele não se inspirava. Pode ser. Mas não sabemos. Só sei que realmente demorou a se inspirar. Eu, levianamente, ( sem a menor prova) sinto que foi também o casamento, embora concorde que a falta dos outros e não apenas de John, tenha concorrido. Eu digo isso porque conheço vários homens que perderam o encanto, ( para dizer um palavrão) depois do casamento. E crescem as barrigas, perdem o brilho do olhar…como se nada mais valesse a pena, Já vi isso acontecer diversas vezes. Mas a falta dos outros contribuiu, pois Paul se casou em março de 69. Ele continuou inventivo enquanto os Beatles existiram. Mesmo com brigas. Pois se a própria capa veio dele, até fez desenho antes…E que capa. Hoje é símbolo de tudo de bom.

  2. Sobre os sinais da morte de Paul. Nâo prestam mesmo atenção. Foram inventando. Como Linda seria viuva se o acidente aconteceu em 66? Paul ainda não a conhecia. E, claro, não era seu marido. Se ele tivesse morrido ela não seria viúva. Era tempo de Jane Asher. Bons tempos. Escutei Paul falando sobre isso outro dia. Disse que saiu de um DJ americano. Disse que estava usando sandálias de borracha. Então, achou melhor tirar as sandálias. Pois disseram que seria um dos sinals. Disse, com cara de riso, que até hoje ainda não entendeu a ligação. Estar descalço significaria que estava morto? Por que? Dpois entrou no clima de brincou ao falar que dizem que ele seria um sósia.Olha para a câmera com uma expressão misteriosa, como se. talvez fosse mesmo um sósia. Excelente entrevista. Eu penso que John andou plantando alguma coisa de propósito. Depois que riscou a palavra casamento do convite de Paul e escreveu funeral, não duvido de mais nada. E ainda citou isso na música How do You Sleep. O mais estranho é ver pessoas achando que foi jogada publicitária para vender o disco. Como se Os Beatles precisassem de algo assim para fazer sucesso.

  3. Pingback: O Everest, quem diria, acabou em Abbey Road | The Beatles College

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