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A influência da música indiana na carreira dos Beatles

Todo fã dos Beatles já ouviu falar da influência da música da Índia em algumas de suas criações. George Harrison foi o que mais se deixou influenciar, tendo criado canções que se baseiam inteiramente na forma indiana de compor e tocar, e essa influência também se apresenta em outras canções, pelo menos no uso de instrumentos típicos.

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Tudo começou quando no set de filmagem de Help! George viu um instrumento esquisito com um som estranho em num dos cenários e sentiu-se atraído. Era um Sitar, também conhecido por Cítara. Depois da compra de um exemplar barato e alguma experimentação, ele apareceria, com seu som bizarro e estimulante, em Norwegian Wood. A sonoridade agradou a todos e foi utilizada em outras canções.

Já em 1966, na época da gravação do álbum Revolver, e logo após o incidente ocorrido nas Filipinas com Imelda Marcos em Manila, os Beatles passaram pela Índia e acompanharam uma execução de sitar talvez pela primeira vez.

Cesar Labarthe esteve na Índia em 2005 e conta que desde que viu o Concerto para Bangla Desh, se interessou muito pela cultura e pela música hindu. Em visita à India pela segunda vez, ele decidiu pesquisar tudo que se relacionasse com a estada dos Beatles por lá em 1968, e foi assim que esteve em Rishikesh com Mr Rikhi Ram na sua loja de música. Lá, enquanto tomavam chá, Mr. Rikhi Ram lhe mostrou sua coleção privada de fotos com os Beatles e contou tudo que compartilhou com eles. São relatos pessoais e que não há muita documentação a respeito. Foram feitas várias fotos dos locais importantes e também das fotografias do acervo pessoal de Mr. Rikhi que, segundo Labarthe, eram inéditas.

A loja de música de Mr. Rikhi Ram fica em Connaught Circus, bem no centro de Nova Delhi. É uma loja pequena, e têm lá uns luthiers que pesquisam, projetam e inventam instrumentos musicais. A loja tem muitas fotos dos Beatles, e eles conversaram sobre eles, enquanto que Ram Filho fez um concerto particular de sitar e seu pai contou a Labarthe, ilustrando com fotos, quais foram os instrumentos que os Beatles levaram.

George, que influenciou os Beatles a fazer essa viagem, decidiu comprar instrumentos assim que foram recomendados à loja de Mr. Rikhi. O que realmente não se sabe é se eles foram à loja antes ou não, porque nas fotos parece que estão num hotel.

Mr. Rikhi foi ao seu encontro levando vários instrumentos e alguns ajudantes, entre eles um Sikh (o que aparece com turbante nas fotos).

Mr. Rikhi Ram e seus ajudantes fizeram uma pequena demonstração aos quatro de como soavam os instrumentos e Ringo comprou uma tabla, John um sarod, Paul um sitar e uma tambura e George um sitar, um sarod, um surmandal e uma tambura. De todos estes o que mais se escuta em sua música são a tambura e o sitar.

Depois, conversaram sobre os Beatles em geral. Na foto abaixo podemos ver Mr. Rikhi Ram com o sarod de John, e George com sua tambura.

Conta o beatlemaníaco que não foi uma situação muito fácil estar na loja conversando com eles, já que estavam trabalhando, além da dificuldade de comunicação, ao inglês precário, e havia tanto a perguntar sobre os Beatles e sobre instrumentos e música em geral… Por sorte, num momento de tranquilidade na loja, eles o convidaram para um chá e puderam conversar com calma.

De tudo que falaram do encontro com os Beatles, o que mais deixou marcas foi a energia que tinham e a inquietude por coisas musicalmente diferentes daquelas que faziam no momento. Com certeza, como já sabemos, George era o que mostrava maior interesse e o único deles que o manteve.

Segundo o relato, ele diz que acredita que Paul também se interessava, mas não o suficiente para seguir com isso por um longo tempo, apesar de que agora, ao ver o título da canção “Riding Into Jaipur” – que é uma cidade da Índia na zona de Rajhastan – deu a entender que ele ainda deve ter alguma ligação interior com este país e com aquele tempo. Diz ele que o caminho de Jaipur é impressionante!

Depois desse primeiro encontro, o pai e o filho continuaram a sua amizade com George e com Ravi Shankar, ao qual ainda fornecem instrumentos musicais. Falaram da paz espiritual de George, que mesmo sendo algo sobre o que já lemos mil vezes, é diferente quando quem a conta é um amigo de tantos anos. Outra coisa que falaram foi do amor, devoção e paixão que George tinha pelos instrumentos musicais. Quando se encontrou com o filho de Mr. Rikhi em Londres, George o presenteou com uma edição do livro “I, Me, Mine”, onde lhe mostrou a foto em que aparece com o primeiro sitar que teve. Disse que tinha muitos, já que depois que perceberam que os Beatles tinham comprado instrumentos musicais na Índia, choveram milhares pela Inglaterra. Mas disse que era no primeiro que comprou que sempre tocava, apesar de ter recebido muitos de presente.

Na foto abaixo podemos ver o músico César Labarthe, autor deste relato, segurando a sua Tambura-Surmandal e acompanhado de Mr. Rikhi Ram e seu filho, 38 anos depois que os Beatles estiveram na loja de instrumentos na India, em 1968.

Atualmente o Ashram onde estiveram os Beatles, (o Ashram do Maharishi Mahesh Yogi), que teve alguns anos de apogeu, está em ruínas e fechado desde 2001.

FONTE DA PESQUISA: Textos de Carlos Assale escritos em 2003

Um esclarecimento:

O Harmonium, um instrumento muito usado na música indiana, na verdade é um instrumento europeu que se espalhou por toda a Índia e hoje em dia é usado praticamente em todo gênero musical lá tocado.

Ele só foi citado em Within You Without You e The Inner Light, canções que têm nítida inspiração indiana, mas também foi usado em We Can Work It Out, The Word, Dr. Robert, Penny Lane, For The Benefit of Mr. Kite, A Day In The Life, Cry Baby Cry e Here Comes The Sun.

Fonte: We Love the Beatles Forever

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Uma resposta para “A influência da música indiana na carreira dos Beatles

  1. Beleza de reportagem. Fotos ínéditas…Sempre bom vê-las. Saber de pessoas que estiveram com eles de forma tão bonita, tão calma, tomando chá…que maravilha. Eu só discordo, e não devia discordar porque aqui uso apenas a intuição, que George tivesse paz espiritual. Penso em George com muito carinho, adoro ele. Mas o vejo como alguém buscando desesperadamente essa paz, sem a encontrá-la. Vendo várias entrevistas que deu, inclusive na Antologia, não vejo paz vindo dele. Vejo dor!

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