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Biografia destaca momentos marcantes da vida e da obra de Paul McCartney nos anos 70

Fora dos Beatles e em busca de linguagem pessoal, artista viveu fase hippie ao lado da mulher.

Paul com a terceira formação do Wings, em 1979: Lurence Juber, Linda, Paul, Steve Holley e Denny Lane, em Liverpool

Paul com a terceira formação do Wings, em 1979: Lurence Juber, Linda, Paul, Steve Holley e Denny Lane, em Liverpool

Reino Unido, Paul McCartney decidiu que o novo álbum dos Wings deveria ser gravado num território mais exótico. Pediu à gravadora EMI a lista dos estúdios que ela possuía pelo mundo. Havia opções como Mumbai (então Bombaim), Pequim e até mesmo o Rio de Janeiro. Mas escolheu Lagos, na Nigéria. Vivendo com Linda e as filhas numa fazenda na Escócia, em ambiente hippie-rural, esqueceu-se de se informar sobre o local.

Não sabia que o período escolhido para a empreitada era de monções. A praia que esperava pegar com a família em setembro sofria com chuvas diárias. Pior, sequer tinha consciência de que o país havia acabado de passar por uma guerra civil, então o ambiente era para lá de hostil. Pois os McCartney, mais o guitarrista Denny Laine (o baterista Denny Seiwell havia pulado fora da banda na noite anterior ao embarque para o Nigéria, copiando o guitarrista Henry McCullough, que tinha abandonado o barco semanas antes) conceberam ali seu mais importante álbum, Band On The Run (lançado em dezembro daquele ano), também o mais conhecido álbum de um Beatle depois do fim da banda.

Em Man on the run – Paul McCartney nos anos 1970, o jornalista escocês Tom Doyle não busca o ineditismo (as 300 páginas da fluida leitura não trazem nenhuma revelação que vá surpreender um beatlemaníaco). O autor procura sim chegar à persona de McCartney, um músico que começa a década completamente desacreditado de si mesmo. Para Doyle, a década de 1970 foi para McCartney um período de luta e fuga. Com o fim dos Beatles – e McCartney em litígio com os ex-companheiros na Justiça – ele inicia um período difícil da vida musical. Na pessoal, o clima também é de recomeço. Recém-casado com a fotógrafa norte-americana Linda Eastman, embarca num ambiente familiar que contradizia em tudo o glamour que acompanha os rockstars.

Com narrativa cronológica, que começa com o fim dos Beatles e termina com o assassinato de John Lennon, o livro veio de uma necessidade que o autor sentiu em tirar McCartney de sua zona de conforto. Ao longo da última década, realizou uma série de entrevistas com ele e sentiu, pouco a pouco, a armadura se abrir. “Para mim, uma imagem bem diferente começava a emergir, em nítido contraste com o tesouro (inter)nacional em geral percebido como ligeiramente oportunista e hesitante que, hoje em dia, canta na abertura dos Jogos Olímpicos ou se apresenta para a rainha… Por trás de sua forte imagem desse período, como um cantor de rock suave e de olhos de Bambi, ele era na verdade um indivíduo muito mais inclinado à contracultura”, escreveu Doyle.

Maconha

O recorte da biografia de Doyle não é o período mais retratado na extensa bibliografia que existe sobre McCartney, daí que o tom, por vezes romanceado da narrativa, surja como um atrativo a mais. Depois do casamento e fugindo das constantes brigas com os Beatles, Paul se refugia com a mulher e Heather (filha de Linda, que ele criou) e Mary, a primogênita do casal, para a Escócia. Ali, o quarteto viveu da maneira mais rústica possível. Sem aquecimento, numa casa de poucos cômodos, McCartney se tornou Paul, o marceneiro. Consumidor voraz de maconha, teve até uma pequena plantação em casa – quando foi levado a juízo, justificou com a cara mais levada possível que recebia sementes de fãs e não sabia que aquela era de cannabis.
Tão hippie quanto foi a primeira turnê dos Wings, que em fevereiro de 1972 rodou 10 universidades inglesas. Os músicos viajavam num ônibus de dois andares, chegavam de surpresa nos locais e faziam apresentações, a 50 cents por cabeça. McCartney admite, mais de uma vez, que foi Linda quem o salvou. A mulher, cuja atuação musical sempre foi discutível, aparece como uma figura forte que tinha consciência de sua limitação como tecladista. Mas foi a maneira que a família – que cresceu com o nascimento dos três filhos que tiveram juntos – encontrou para permanecer unida. Entre muitos erros e acertos, o retrato apresentado por Doyle humaniza o maior artista vivo do rock.

Quanto a Band on the run, passadas sete semanas de gravação em Lagos, McCartney decidiu voltar à Inglaterra, onde o terceiro álbum dos Wings foi finalizado. Escapou ileso, ou quase, da aventura africana. Teve as fitas cassete originais roubadas por um grupo armado – como eram os únicos registros existentes, teve que gravar de novo as músicas, muitas das quais se lembrou de cabeça –; precisou provar ao músico Fela Kuti, que andava com um grupo de guarda-costas, que não tinha ido à Nigéria para “roubar” uma sonoridade africana; e de sofrer um ataque de pânico numa noitada, depois do consumo exagerado de maconha nigeriana. São histórias que, quatro décadas mais tarde, dão ainda mais sabor ao seu mais importante álbum fora dos Beatles.

20140629112207483169oMAN ON THE RUN: PAUL MCCARTNEY NOS ANOS 1970

. De Tom Doyle
. Editora Leya, 352 páginas, R$ 49,90

Trecho

“Talvez, estranhamente, um dos elementos mais agradáveis para Paul em tudo isso foi receber o cachê da banda, metade do valor arrecadado com os ingressos, depois da apresentação, um saco de moedas de 50 centavos, que depois foi igualmente distribuído pelo cantor entre os músicos. Em virtude do fato de, após assinar com a NEMS, de Brian Epstein, em janeiro de 1962, os Beatles jamais terem lidado com dinheiro vivo que ganhavam por suas apresentações, isso era uma emoção inesperada. Foi a primeira vez em 10 anos que Paul viu dinheiro depois de um show, e ele gostou do aspecto ‘dignidade do trabalho’ do músico disso, sentindo-se como ‘Duke Ellington dividindo o dinheiro’ com sua banda.” (Sobre o primeiro show dos Wings, em 9 de fevereiro de 1972, no refeitório da universidade de Nottingham, norte da Inglaterra)

Em forma

Na semana passada, Paul McCartney reapareceu em vídeo disponibilizado na internet para informar aos fãs que está muito bem. Em maio, ele ficou internado em Tóquio, onde faria shows da turnê Out there, Recuperando-se de um vírus, também teve que adiar a parte norte-americana da turnê. Aos 72 anos recém-completados, McCartney adiou os shows nos EUA para setembro e outubro. “Venham nos ver, que nós veremos você, sentindo bem e rock’n’rollin”, finalizou ele, antes de emendar um air guitar.

Discografia no período

. Paul McCartney
McCartney (1970)
McCartney 2 (1980)
Tug of war (1982)

. Paul e Linda McCartney
Ram (1971)

. Paul McCartney e Wings
Red rose speedway (1973)
Band on the run (1973)

. Wings
Wild life (1971)
Venus and Mars (1975)
Wings at the speed of sound (1976)
Wings over America (1976)
London Town (1978)
Wings greatest (1978)
Back to the egg (1979)

Por Mariana Peixoto
Fonte: Divirta-se Uai

Via: @_alinessilva

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4 Respostas para “Biografia destaca momentos marcantes da vida e da obra de Paul McCartney nos anos 70

  1. Tenho minhas dúvidas se gostaria de ler este livro. É exatamente sobre a fase dele que menos me interessa, de um Paul sem atrativos para mim. E a justificativa da presença de Linda como cantora e tecladista me pareceu mais do que furada. A única maneira que encontraram para ficarem unidos? Conta outra. Se fosse assim todas as esposas teriam de estar participando da vida artística de seus maridos para se manterem unidos. Quem pode acreditar numa desculpa assim? Ela poderia ir nas viagens, ajudar em outras coisas, e ficar longe dos estúdios e do palco. Minha mãe participava do grupo do meu pai, mas não por esse motivo. E sim porque mamãe cantava bem. Se Paul se tivesse casado com a Joan Baez eu diria que ela teria até mesmo a obrigação de fazer parceria com ele. Mas Linda não sabia nem mesmo fingir que tocava. Levantava os braços tão alto que via-se logo que não tinha a menor noção. Noção de nada de arte. Se saía muito mal nos vídeos! O mais grave é que ocupava o lugar de alguém que poderia dar uma contribuição realmente boa na parte musical. Já não tinha John, nem George, nem Ringo…então tinha de pelo menos ter músicos de peso a seu lado. Eu não sei qual os reais motivos de Paul para isso. Me parece uma competição com John, que colocava Yoko em quase tudo também. “Se Yoko pode Linda pode.”, devia pensar. Outro dia fiquei sabendo que existe uma música dos Beatles, não sei qual, onde podemos ouvir as vozes de Maureen e de Patty. Gravada depois da chegada de Yoko. Achei engraçadissimo. Com toda certeza foi devido a presença de yoko em tempo integral e participando de algumas gravações. Mas foi só uma vez. Paul teria levado a sério tão a sério essa briguinha que não hesitou em prejudicar sua música. Foi um período de pouca criatividade musical e já com essa desculpa apresentada acho que não gostaria de ler o livro. Enfim, um período que prefiro esquecer. É mesmo, Virginia? Será que você vai resistir? É o Paul afinal de contas. O Paul!. Meu coração já está se derretendo…meus olhos já estão umedecidos…além disso há duas coisas que me chamaram a atenção…Pronto. Já tem nas livrarias? Vou ver se acho na Nobel. Estarei lá amanhã para o lançamento de um livro que tem minha participação. Olha eu já na fila! rs rs rs.

  2. As duas coisas que acenderam uma luz dentro de mim: a prmeira delas é: viveu como hippie. Juro que isso não era divulgado. O que eu ouvia era a maravilha que ele tinha se revelado como marido, sempre fiel a esposa ( que raiva! rs rs rs) e pai de familia de acordo com o modelito da extrema direita. Enfim, tinha ficado careta. Chorei algumas vezes sem entender nada, com medo dele ter sempre sido careta e eu não tinha notado. Mas pelo menos era música da melhor qualidade e como casado tinha perdido a inspiração, Definitivamente Linda nunca foi uma boa musa. Martha o inspirava melhor. E se enquanto Beatle ele era sincero, o que teria acontecido com ele para mudar tanto? Eu o via triste…juro que sim. Eu o via fazendo das tripas coração para poder se manter na crista da onda. Tinha havido um racha entre alguns fãs, Os mais intelectuais e avançado tinham ficado com John e contra Paul. Eu não gostava disso. No fundo, ainda amava os quatro. Mas era o que estava acontecendo e ele deve ter notado. Então, talvez tivesse visto que o jeito seria agradar a turma cafona que nem mesmo era fá dos Beatles antes, e que parecia a gostar dos Wings. Assim conseguiria continuar nas paradas, visto que os beatlemaníacos pareciam preferir John e George. E Ringo, claro. Mas ele estava de vilão, para piorar as coisas. Tinha processado os colegas. Era considerado megalomaníaco, que John nem sabia como conseguia dormir.. Aquela música contribuiu muito para que muitos passassem a detestar o Paul. Eu nunca o detestei. Como disse alguém aqui, amor tem de ser incondicional. Mas amor incondicional não significa não ver defeitos. Significa continuar amando apesar dos defeitos. E foi o que sempre fiz. Até mesmo comprava os discos com esperança de gostar…e chorava ao ver que não estava à altura do Paul genial de antes. Até que veio Tug of War e dei pulos de alegria. Finalmente um disco dele que me emocionou…Mas mude de assunto. Queria dizer que agora estou sabendo de viveu como hippie! Pelo menos continuava, mesmo que escondido, o antigo Paul contestador. Isso reforça minha teoria que tinha criado uma falsa imagem para conquistar um público novo. Mas lá dentro ainda era o meu Paul! A segunda coisa é a seguinte: “Por trás de sua forte imagem desse período, como um cantor de rock suave e de olhos de Bambi, ele era na verdade um indivíduo muito mais inclinado à contracultura”, escreveu Doyle Viva, Viva, Viva! O Doyle aqui confirma a minha teoria…forte imagem daquele período. Uma imagem forte tinha sido criada que não correspondia a sua realidade. Sua realidade é a de uma pessoa ligada à contra cultura. Exatamente o que eu rezava para ser. Paul, perdão pelas vezes que tive dúvidas, pelas vezes que não te reconheci. Quer dizer que todo aquele tempo, em sua casa, na sua fazenda você continuava sendo aquele fofinho do meu coração! A meu favor vale dizer: eu de certa forma sabia disso, eu nunca deixei de te amar…apesar de. 🙂

  3. Virginia, chega. Já cansou todo mundo! Só mais uma coisa. É que fiquei sabendo há poucos dias…Cynthia revelou algo da maior importância no seu livro. Nâo sei os detalhes. Mas Beatles…mudando a ordem das sílabas, fica Les Beat. O mesmo beat da Beat generation. Isso explicaria porque se davam tão bem com Bob Dylan. E porque Doyle viu um Paul diferente da imagem. O Paul verdadeiro. “Meu” Paul 🙂 Fica, porém, a pergunta: Por que nunca revelaram isso? O que temiam? Para mim esclarece porque jamais consegui vê-los como apenas um conjunto musical. Sempre foram além. É que pertenciam a geração beat! Mistério resolvido. Fiquei ainda mais fã, o que não sabia ser possível!

  4. Sertaneja você é perita em Beatles.Parabéns.Adoro ler seus comentários.

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