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Como Michael Jackson adquiriu o direito às canções dos Beatles

A versão foi dada pelos advogados de Michael Jackson e publicada originalmente na Forbes.

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Durante meados dos anos 80, um punhado de empresários mais experientes da América reuniram-se para traçar estratégias financeiras para um conglomerado de entretenimento de bilhões de dólares. Uma organização foi oficialmente incorporada e poderia ter sido chamada de Michael Jackson, Inc.

Em 1985, esse conglomerado fez a sua aquisição mais substancial: a ATV, empresa que hospedava o catálogo musical premiado dos Beatles. Foram incluídos os direitos autorais da maioria dos maiores sucessos da banda, incluindo “Yesterday”, “Come Together”, “Hey Jude”, e centenas de outras.

O catálogo mais tarde se fundiu com a Sony para formar Sony/ATV, que atualmente controla mais de dois milhões de canções de artistas que vão de Eminem até Taylor Swift, tornando-se a maior companhia de publicação de música do mundo.

Michael Jackson estava conversando sobre ter esse catálogo e não querendo incomodar ninguém, permaneceu em silêncio, como sempre fazia nas reuniões, mas ele já tinha tomado sua decisão. Ele rabiscou uma nota na parte de trás de uma ficha financeira e passou por baixo da mesa para John Branca, que desde então tratava das finanças de dezenas de grandes nomes do rock e do pop, incluindo Beach Boys, Rolling Stones e Michael Jackson. “John, por favor, não vamos negociar. Eu não quero perder o negócio. O CATÁLOGO É MEU” dizia o bilhete.

Alguns meses mais tarde, Jackson comprou a ATV por um preço de 47,5 milhões dólares. Hoje, a Sony/ATV vale cerca de US$ 2 bilhões. Através do espólio de Michael Jackson, seus herdeiros ainda possuem sua parte. Isso só aconteceu, devido a uma manobra astuta e a determinação inabalável de Jackson e sua equipe. A incrível história começa mais de um quarto de século atrás, no Reino Unido, durante um encontro entre 2 grandes nomes.

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Uma noite , em 1981, na casa de Paul McCartney nos arredores de Londres, o beatle entregou um fichário a Michael Jackson. Dentro havia uma lista de todas as músicas cujos direitos de publicação pertenciam a McCartney. Depois de deixar boa parte de seu próprio catálogo de composição escapar, ele estava investindo na compra de direitos de outros autores.

“Isto é o que eu faço. Comprei o catálogo do Buddy Holly, um catálogo da Broadway”, disse McCartney a Michael Jackson que ficou surpreso. Isso mexeu com o rei do Pop, já que nessa época ele havia tido um faturamento de milhões e precisava investir em algo seguro. Seus advogados mostraram vários imóveis mas não era isso que ele queria e depois de escutar uma fita que um dos advogados trouxe, Michael começou a comprar alguns direitos de algumas hits dos anos 60, como por exemplo, “Cowboys to Girls” do grupo The Intruders.

Karen Langford, que era associada a Michael, disse “Ele queria ser o editor número um no mundo e ele faria qualquer coisa para chegar ao topo, sendo o maior.”

Michael tentou comprar os direitos das músicas da Motown, mas Berry não estava a fim de vender na época. Em 1984, numa outra reunião de negócios, John Branca informou ao astro que havia sido informado de que um catálogo estava à venda.

“É ATV”.
“Sim, então o que é isso?”
“Eu não sei, eles possuem alguns direitos autorais, eu estou tentando me lembrar”, disse Branca, fazendo uma pausa. Em seguida, ele ofereceu alguns nomes: “Yesterday”, “Come Together”, “Penny Lane” e “Hey Jude”.
“Os Beatles?”, perguntou Jackson.

O único problema: o catálogo pertencia ao bilionário Robert Holmes, da Court, uma corporativa australiana conhecida por uma paciência de aço. Nada disso importava para Jackson. Suas instruções para John Branca era “Você tem que conseguir esse catálogo.”

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O advogado lembra dos dias frenéticos que se seguiram. Sua primeira tarefa: fazer check-in com Paul McCartney e Yoko Ono, ambos amigos de Jackson. Como a viúva de John Lennon estava no comando de sua propriedade e alguns boatos diziam que ela tinha interesse em fazer uma oferta conjunta com Paul McCartney para ATV, Jackson preferiu esperar um pouco, para evitar um confronto.

“Eu tenho Yoko ao telefone”, lembra Branca. “E então eu disse: ‘Michael me pediu para chamá-la e descobrir se você está interessada na ATV Music, que detém todas as músicas dos Beatles.”
“Não, nós não temos interesse. Por quê?”
“Porque Michael está interessado.”

Branca disse que seu próximo passo foi verificar com John Eastman, advogado de Paul McCartney e irmão da Linda McCartney. De acordo com Branca, Eastman o informou que McCartney não estava interessado porque o catálogo era “muito caro”. Esta sempre havia sido uma das muitas razões para que Branca não acreditasse na compra por parte de Paul McCartney.

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Apesar das canções dos Beatles representarem cerca de dois terços do valor da ATV, o terço restante consistia de ativos que McCartney não queria: direitos de milhares de outras composições, uma biblioteca de efeitos de som e até mesmo alguns imóveis.

“O comportamento de Paul foi muito, muito mais estruturado financeiramente”, diz Bandier. Adiciona Joe Jackson: “A única razão para Michael comprar o catálogo era porque estava à venda! Paul McCartney e Yoko poderiam ter comprado, mas não quiseram.”

Há também uma explicação para a falta de vontade de McCartney: “Eu nunca pensei que Paul McCartney iria comprá-lo, porque é muito difícil para um criador comprar o que é seu”, diz Bandier.

“Seria como Picasso passar um dia fazendo uma pintura, para comprá-la, vinte anos, depois por US $ 5 milhões. Não seria uma coisa que Paul faria.”
Depois de várias reuniões e conversas, Michael comprou o catálogo e os direitos das músicas dos Beatles, sem nenhuma intervenção ou contra proposta de Yoko ou Paul McCartney.

Fonte: Diário dos Beatles

Leia também:

Como o direito ao catálogo de canções dos Beatles passou de mão em mão desde os anos 60, até chegar a Michael Jackson.

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3 Respostas para “Como Michael Jackson adquiriu o direito às canções dos Beatles

  1. Versão dos advogados de Michael Jackson. Cheia de furos que até eu, que nada sei de leis, percebo. Porque tenho memória. Lembro bem de quando isso aconteceu e de como tanto Paul quanto Yoko realmente interferiram. Sem essa de que não mostraram interesse. O mais grave é o sofisma usado de comparar como Picasso comprando sua tela. Paul não queria comprar os discos. Queria o catálogo pelos direitos autorais. É muito diferente, mas pode enganar os incautos. Parecendo coisa de politicos. Tanto Paul tem interesse que nunca parou de lutar para ter o catálogo de volta. Ao que parece já conseguiu alguma coisa. Outro erro: quem falou que Paul não queria foi seu advogado assim de estalo, pelo que ficou parecendo. Advogados precisam falar com seus clientes antes de uma decisão desse tamanho. Tambem todos já ouvimos Paul contando, e até fazendo a voz de Michael, que ele dizia: ” Eu ainda vou comprar suas músicas, Paul…” Paul achando que era brincadeira. Agora precisamos urgentemente da versão de Paul! Vamos procurar por ela? 🙂

  2. Ahã. Tá. Sei. No dia em que eu encontrar a versão de Paul dos fatos, aí eu acreditarei. Mas na dele.

  3. Pingback: Paul McCartney abre processo para recuperar catálogo dos Beatles | The Beatles College

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