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Beatles e Literatura

John Lennon: um gênio Romântico.

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Se lançássemos aqui na Beatles College a seguinte enquete: ‘Quem é o Beatle mais romântico, para você?’, certamente teríamos John como a escolha definitiva dos fãs, certo? As músicas mais populares em declarações de amor ou festas de casamento não negariam essa realidade – And I Love Her, Something, Here, There and Everywhere...   Exatamente… É claro que não! Absolutamente não! John Lennon, um gênio romântico? Não, um gênio Romântico! Um Romântico incurável. Mas… afinal, o que é o Romantismo? O que torna John o mais Romântico dos Beatles, se não é ele o autor das clássicas baladas românticas da banda?

Nos últimos sopros do século XVIII europeu, o Movimento Romântico trouxe para as Artes a experiência estética do culto à subjetividade, ao imaginário e à representação das emoções mais corrosivas da alma. Para os Românticos, a verdadeira expressão dos sentimentos só seria possível a partir de uma arte genuinamente individual e criativa, ditada pela avalanche de emoções e imaginação do poeta, e não pelo o que se havia convencionado como Arte até então.

John Lennon

O Gênio Romântico é, essencialmente, uma alma atormentada, perdida entre a beleza arrebatadora do mundo e a terrível condição humana. Entre o suave e o grotesco. Entre a euforia e o desalento. Um espírito melancólico e excêntrico, celebrando o que há de mais belo, e de mais triste também. O gênio que canta a trágica beleza de suas próprias tempestades humanas. Da introspecão, à revolução. Parece familiar?

Não é preciso refletir muito para identificar John como o letrista mais sagaz e pungente entre os Beatles. Um artesão das palavras, plastificando-as, resignificando-as. Estranho achar ‘Lucy in the Sky with Diamonds’ uma música ‘colorida’, ou ainda, ‘palpável’?  Não. É exatamente isso o que o poeta maior John faz. ‘Céus de marmelada’ – um deleite sensorial! Uma ultra sensibilidade artística que o permitiu, desde a infância, perceber as sutilezas e estranhezas do mundo e do comportamento humano, constantes em seus inúmeros desenhos e anotações (Veja aqui o talento de John Lennon como desenhista). John e sua infinita excentricidade, intensamente lírica, selvagemente cômica.

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A poesia evocativa de John Lennon permanece inabalada, magistral, e sem precedentes na história da música. E o que explica tamanha identificação com os Strawberry Fields, a tantos quilômetros da minha ou da sua vida? Não poderia ser diferente. Em qualquer tempo haverá tristezas e discordâncias com o mundo. Em todas as épocas, haverá o amor, e haverá a miséria humana. E é justamente o humano que nos conecta ao poeta, que nos tira o chão, e nos extende a mão em seguida. John não inventou temas para as suas canções. Cantou o amor e a morte, os sabores e as mágoas. Temas demasiadamente humanos, e por isso mesmo, profundamente impactantes na maestria de um artista singular.

John Lennon, decididamente, não é um poeta para os corações apaziguados. Para esses corações, o Gênio Romântico será apenas mais uma alma incompreendida, um inconformista sem causa. O Beatle menos convencionalmente romântico não figura a maior parte dos casamentos ou cartões de amor. Talvez a crueza de sua poesia, ainda que coberta em cores, seja real demais para a fantasia desses momentos.

‘Nada irá mudar o meu mundo’, John, mas é fabuloso poder compartilhá-lo com você.

Texto enviado por Thaíse Assis

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4 Respostas para “Beatles e Literatura

  1. Muito bom, Thaíse! Bela construção e incisiva leitura de John!

  2. perfeito !

  3. Que dessa vez meu comentário apareça. Mas não lembro mais o que escrevi da primeira vez! E hoje, com cabeça tonta de pressão alta, e dor de alma, estou pouco inspirada. Thaise pegou fundo nas letras de John nos revelando algo que nem todos se atinam: o verdadeiro romantismo. Ficamos todos poluídos com novelas e filmes d Hollywood chamados de romanticos e nos esquecemos do verdadeiro seu verdadeiro significado. John Lennon era um romantico em essencia, conforme ela tão bem nos mostra nos texto. Não preciso acrescentar nada, apenas agradecer, porque é bom demais ler algo que nos leva a pensar. Algo que uma mente como a de John aprovaria e agradeceria de onde estiver. Quero acrescentar apenas que os Beatles como um todo formaram um quarteto romantico também. Eles queriam mudar o mundo, queriam marcar época com algo novo, nunca feito, revolucionário. Essa é uma caractéristica dos romanticos do passado. Alguem viu o a série ” Desesperadamente Romanticos?” Conforme o anuncio, a serie segue a vida dos pintores londrinos da escola pre-Rafaelita, conhecidos por inovar a arte e por seus amores. Acho que eram quatro! rs rs rs. Eles mudaram todo o conceito de pintura. Todos falavam alto com declarações que chocavam. Corações atormentados. Se a série conta a verdade, aí são outros quinhentos. Geralmente não contam. Mas passam o principal: o espirito da escola romântica. E as personalidades…Os romanticos tomam atitudes tempestuosas. Em John isso era constante. Nem preciso dizer nada. Viveu assim. Daí que realmente era o mais romantico de todos. Mas vemos algumas atitudes parecidas em George, quando mandar retirar o nome de John do seu livro I Me Mine. E em Paul quando resolve tomar ácido apenas porque John tinha tomado por engano e estava mal. Tinha de fazer companhia ao amigo. Também quando resolvem se comunicar por música. Mandar recados por música. Que podiam ser os mais violentos e ácidos até mesmo elogios, homenagem, como é o caso de Let me Roll it. e, ai me esqueci o nome da resposta. Está no Walls and Bridges. E que tal cobrir a bateria de flores para receber Ringo de volta depois de um desentendimento? Idéia de George. Acompanhando suas reações e atitudes vemos momentos de incrível romantismo, inclusive no sentido mais comum. Até nas fotos podemos ver isso. Nas entrevistas…The Beatles: os últimos românticos do rock. Com toda certeza.

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