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“A verdade sobre os Beatles”, segundo o jornalista Fred Jorge

É sempre interessante tomarmos conhecimento das críticas feitas aos Beatles no passado, tanto as boas como as ruins, pois hoje podemos ver se elas procediam ou não.

Como já publicamos aqui, a manchete da Revista Melodias Nº 139, Editora Prelúdio Ltda, de abril de 1969, trazia um texto de Fred Jorge elogiando e prevendo o futuro da banda, intitulado “Beatles: Um passo à frente”, porém, em novembro de 1967, o mesmo Fred Jorge havia escrito um texto que foi publicado na Revista Melodias 122, página 13, que fazia uma crítica à mudança comportamental dos Beatles, como podemos ler abaixo.

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“A Verdade sobre os Beatles”

Texto: Fred Jorge Revista Melodias 122 – Novembro de 1967 – Página 13

É perfeitamente admissível que quatro rapazes sonhem com a glória internacional. Ainda é admissível que procurem inspirar como exemplos esta geração de pós-guerra, vivendo num mundo neurótico e sem padrões. Mas que queiram romper as convenções seculares, destruindo princípios básicos, tomando as rédeas do mundo para levá-lo à confusão e ao abismo, isso não se pode admitir.

Surgiram em Liverpool quatro rapazes tocando e cantando. Lutaram e venceram. A força de suas personalidades era tanta que a juventude adotou-os como padrões. E proliferaram garotos com calças apertadas, camisas coloridas e longos cabelos. Em vez de andarem de correrias por aí, em carros e lambretas, esses mesmos garotos ficavam o dia todo estudando acordes em guitarras eletrônicas. A paixão dos jovens pela música renasceu violenta. Até aí a influência foi boa, não há a menor dúvida.

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De repente mudaram de fisionomia. Ninguém reconhece hoje os Beatles de ontem. Levaram ao extremo a sofisticação. Os mesmos cabelos, mas os bigodes são longos, usam óculos à antiga e pregam coisas estranhas. Parece que os fabulosos e geniais Beatles estão se afastando do único caminho que lhes foi reservado. O da música. E fazem estranhas declarações. Primeiro atacam Jesus Cristo, chamando a si mesmos mais popularidade do que polariza o Suave Nazareno. E agora exaltam o uso da maconha e do famigerado ácido lisérgico.

Será essa a função dos Beatles? Por que não são as mesmas?

Nosso Roberto Carlos está saturado de glória e fama, e nem por isso deixa de ser um padrão sadio para nossa juventude.

Os Beatles afastam-se do caminho da música, para abraçarem uma falsa filosofia.

Não são os reis do mundo. Não têm o direito de desviar os caminhos da juventude internacional, como se fossem líderes de uma manada amorfa e sem personalidade, seguindo falsos chefes. São cantores e músicos. O máximo que esperávamos deles é isso. Boas interpretações, ritmos dinâmicos e bons, evolução artística. E não teorias absurdas. Nada de princípios falsos.

Por que não voltam a ser os Beatles de “I want to hold your hand”, “Yesterday”, “Michelle” e outras músicas geniais? Deles não queremos filosofias. Queremos talento, arte e música.

Além disso, nada mais.

Fonte: Blog We Love the Beatles Forever

NOTA: Fred Jorge foi um famoso jornalista, atuando também como autor de novelas e compositor, tendo algumas canções gravadas por Roberto Carlos e por artistas da Jovem Guarda.

Curiosamente, dois anos depois, o jornalista mudou de opinião sobre os Beatles, publicando o artigo Beatles: Um passo à frente!, que você pode conferir AQUI.

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8 Respostas para ““A verdade sobre os Beatles”, segundo o jornalista Fred Jorge

  1. resumindo, ele queria que os beatles continuassem fazendo aquelas musicas bobinhas que eles faziam no inicio da fama. `–, nao sabia o tanto de merda que tava falando

  2. cesar castro neves

    Naquele episodio no Bed in no Canada John Lennon discutiu com uma mulher q falou pra ele q preferia a epoca inicial dos 4 cabeludos…ele respondeu a ela o seguinte: Nos evoluimos….

  3. doente essa publicaçaão parece uma garotinha de 16 anos da epoca nao um critico musical…

  4. A verdade sobre Fred Jorge: Quem foi mesmo Fred Jorge?

  5. João Arnaldo

    Não alterei uma única frase. Apenas exclui as que me parecem colocadas só para amenizar a verdadeira intenção do autor. Olha só o que, sob a minha ótica, restou:

    “Os Beatles afastam-se do caminho da música, para abraçarem uma falsa filosofia. Deles não queremos filosofias. Queremos talento, arte e música. Além disso, nada mais.

    Parece que os fabulosos e geniais Beatles estão se afastando do único caminho que lhes foi reservado. O da música. São cantores e músicos. O máximo que esperávamos deles é isso. Boas interpretações, ritmos dinâmicos e bons, evolução artística…que queiram romper as convenções seculares, destruindo princípios básicos, tomando as rédeas do mundo para levá-lo à confusão e ao abismo, isso não se pode admitir. Será essa a função dos Beatles?”

    Fred Jorge não parece, nesse texto, estar disposto a dar aos Beatles a liberdade de serem pessoas com vontades e opiniões próprias. Quer deles apenas canções, sem revoluções, sem alterações da ordem estabelecida; meras vaquinhas de presépio. Diz o que se espera de alguém que está sintonizado com a ordem estabelecida no Brasil daquele momento (1967): o Brasil da Ditadura Militar; da repressão absurda.

    Não se iludam! Fred Jorge “jogou pra torcida”, e, nesse caso, a torcida eram os militares e, muito provavelmente, a Igreja Católica. Basta ler nas entrelinhas.

    Em tempo: sou um dos felizes proprietários de um exemplar dessa revista – a mais antiga de todas as que tenho.

    • é isso mesmo João Arnaldo, devemos lembrar em que contexto foi escrito o texto, ditadura estava comendo solta. O elogio ao RC, o menino dos olhos dos militares, foi de doer mas coerente com Fred Jorge, contribuinte da Jovem Guarda, o ópio juvenil da época.

  6. As músicas dos Beatles do início da fama nunca foram bobinhas. Eram bastante avançadas para o tempo. Eles sempre estiveram á frente. Quem é mais velho e estava presente sabe dizer. Tem como dizer. Eu me lembro até da data em que ouvi “She Loves you” pela primeira vez.27 de maio de 1964. Andando pela rua em Belo Horizonte a som veio de uma casa. Eu tive um impacto. Parei de andar. ” O que é isso?’ A amiga a meu lado respondeu. “Os Beatles”. Entramos na casa. Eu tinha a impressão que já tinha ouvido aquela musica em algum lugar embora soubesse que não.Não era porque tinha linha melódica conhecida. O som era totalmente novo mas parecia que eu já tinha ouvido antes, talvez num sonho…Foi algo mágico. Já conhecia I Want to hold your hands e tinha tido uma reação semelhante. Eles já chegaram batendo forte nos nossos corações e nas nossas almas. Mas que não viveu aquele tempo não tem mesmo como saber o que foi aquilo. Pode parecer “música bobinha”, mas de bobas não tinham nada. Até hoje ainda sinto arrepios quando ouço aquelas primeiras músicas. Não penso que Fred Jorge queria que continuassem compondo sempre no mesmo estilo. Não foi isso que o chocou. Acho que nem sabe o que o chocou. Os Beatles vieram para balançar o coreto. E como balançaram. Muitos se assustavam. Quem viu o especial de 50 anos deve se lembrar que comentaram sobre isso. Hoje ninguém fica assutado com homens de cabelos grandes. Mas foi algo assustador em 64. Pessoas perdiam seus empregos. Alunos eram expulsos das escolas. Garotos levavam surras. Por isso o então adolescente David Bowie ( David Jones na época) criou uma organização de prevenção à crueldade contra homens cabeludos. Hoje ninguém se importa…graças aos Beatles. O Fred Jorge achava que os Beatles estavam indo contra tradições seculares, contra os princípios básicos…De certa forma estavam mesmo, e grande parte do seu sucesso foi exatamente por isso. No entanto, o mundo adulto tremia de medo do que poderiam aprontar. O que ele queria era que os Beatles fossem como os cantores dos anos 50 se limitando à música, sem trazer assuntos polêmicos para serem repensados. Impossível. Ele nem precisavam falar nada. Olhar para eles já fazia com que repensássemos quase tudo que era considerado “certo”. Estava na aura deles! Fred Jorge acabou entendendo… e sabem por que? Porque insistiram em ser eles mesmo. Não se limitaram a compor, cantar e tocar. Sempre foram além da música.

  7. Fernando Guedes

    E complementando o que a Virgínia falou: Fred Jorge era apreciador, versionista e envolvido intensamente com a cultura dos anos 50, sendo que ele fez muitas versões de musicas estrangeiras para cantores da época: celly campello, tony campello, e roberto carlos até, no inicio da carreira. ele certamente não estava acostumado com ”essa” revolução que os beatles fizeram, mas que participou de outra revolução ocorrida, diferente, dos anos 50, muita gente na época ainda era ”quadrada” para musica altamente experimental e ”alienígina” (era o que diziam) da decada de 60

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