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George Harrison descrito por sua música

Se estivesse vivo, hoje George Harrison assopraria 71 velinhas e ainda se gabaria por ser o mais novo. Estamos há doze anos sem o quiet beatle, mas assim como suas músicas, sua curta presença na Terra deve ser celebrada. Sem George, seu iPod não seria o mesmo. Os Beatles não seriam os Beatles, e nós nunca teríamos a oportunidade de ouvir algo como Something. Aliás, sabe aqueles discos para ouvir antes de morrer? All Things Must Pass, o primeiro de sua carreira solo, é um deles — e não sou eu quem estou falando.

Em homenagem a Harrison, iniciamos agora uma viagem pela sua trajetória, através de músicas que receberam o seu toque. Músicas que, por si só, explicitam o porquê de o mundo da música dever sempre um “muito obrigada” a ele.  Está pronto?

I Need You, a versão adolescente de Something, poderia ser apenas mais uma das composições bonitinhas do auge da beatlemania, mas foi além. Presente em Help! (1965), a música é pioneira na utilização do tone pedal, que torna contínuo o som dos acordes. Questiona-se também o fato de este ser o primeiro pedal utilizado na história do rock ‘n’roll.

George foi o primeiro a ousar na música pop. Após ser introduzido ao trabalho de Ravi Shankar, o multinstrumentalista aprendeu a tocar cítara, e inovou utilizando-a em Norwegian Wood (This Bird Has Flown), uma composição de Lennon que está presente em Rubber Soul (1965), o marco de transição do quarteto de Liverpool.

While My Guitar Gently Weeps, uma reflexão de George com base nas teorias do I Ching, se tornou inesquecível por conta da presença de um outro cara que sabia fazer um guitarra chorar: Eric Clapton, amigo pessoal do beatle. Com uma proposta inicialmente simplória, tendo sido até mesmo desdenhada por John e Paul, a música conseguiu cravar seu nome na história, e é impossível não se emocionar com o famoso solo — que teve uma ajudinha da tecnologia por conta de a guitarra de Clapton não ser “beatle o suficiente”.

Something foi tão impactante, que Frank Sinatra creditava erroneamente a “melhor canção de amor dos últimos cinquenta anos” a Lennon/McCartney. Tendo sido a primeira música de Harrison a virar lado A em um compacto (Something/Come Together), teria sido escrita para Pattie Boyd, sua esposa na época (mas George nunca confirmou tal intenção), um pouco antes de culminar no triângulo amoroso que envolveu Eric Clapton (escute “Layla”, feita para a mesma pessoa — sortuda!).

Assim como While My Guitar Gently Weeps, o solo (aqui executado pelo próprio Harrison) é um dos mais inesquecíveis da história da música, e só perde para Yesterday na categoria de música mais regravada dos Beatles — até mesmo Paul McCartney tem a sua versão.

All Things Must Pass, o álbum, é considerado um dos melhores da história, e o melhor da carreira solo de um Beatle. É o primeiro de Harrison após a separação da banda (já tinham vindo Wonderwall Music Electronic Sound), e o primeiro álbum triplo da história do rock. Logo após isso, em 1971, Harrison também foi pioneiro em organizar um show humanitário, o Concert for Bangladesh, que contou com a presença de nomes como Eric Clapton, Bob Dylan, Ringo Starr e Ravi Shankar.

My Sweet Lord (All Things Must Pass, 1970)

Na década de 80, Harrison relembrou seu tempo nos Beatles em duas canções: All Those Years Ago (1981), em homenagem a John Lennon, após a morte do mesmo. Para essa versão ele recrutou Paul e Linda McCartney e Ringo Starr. Já em 1987, com o álbum Cloud 9, ele apareceu com a música When We Was Fab, que conta com Paul e Ringo no clipe também.

All Those Years Ago

When We Was Fab

Em 1988, Harrison integrou o dreamteam Travelling Willburys. Apesar de não ter feito tanto impacto, o grupo era composto também por Bob Dylan, Tom Petty, Roy Orbison e Jeff Lynne.

Seu filho, Dhani Harrison, repetiu feito semelhante ao se juntar com Ben Harper e Joseph Artur em 2010, formando o Fistful of Mercy.

Travelling Willburys — Handle With Care

O Los Hermanos pode não gostar de tocar Anna Julia, ou nem sempre, mas dá até para esquecer que o hit tem uma versão forró feita pelo cãozinho dos teclados Frank Aguiar, quando lembramos que George Harrison, pouco antes de morrer, participou de uma versão em inglês da música, feita pelo produtor inglês Jim Capaldi — que morreu um ano depois de Harrison, da mesma causa.

George, detentor de um lado bastante espiritual, fora informado do reaparecimento de seu câncer de pulmão em 2001, sabendo que já não lhe restaria muito tempo de vida. Escolheu, então, o lugar no qual gostaria de morrer e guardou-o em segredo com sua mulher e seu melhor amigo, Gavin de Becker. Seu corpo foi cremado e as cinzas teriam sido atiradas no rio Ganges, na Índia.

Fonte: Rock’n’Beats

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8 Respostas para “George Harrison descrito por sua música

  1. João Arnaldo

    Muito bom.

    A título de contribuição: o questionamento acerca de qual teria sido o primeiro pedal da história do rock’n’roll deve recair sobre “Yes, It Is”, e não sobre “I Need You”; já que aquela é anterior a esta.

  2. carlos guerreiro

    All things must pass não é o melhor album de um ex-beatle….é o segundo, primeiro é o Band on the run dos Wings! o unico album ate agora a figurar no hall of fame das gravaçoes (podem conferir na wikipedia) mas este ano deu entrada no mesmo o All things must pass que fica muito bem ao lado do Band on the run e dos albums dos Beatles.(Em termos de gostos pessoais gosto mais do Cloud nine do que do All things, mas eles são os meus dois albums preferidos do grande George meu beatle preferido a seguir ao Paul(mais uma nota Band on the run foi eleito album do ano em 1974 pela Rolling Stone nenhum outo beatle alcançou o primeiro lugar outra vez antes ou depois na lista de melhores albums do ano na Rolling Stone (falo das listas anuais de fim de ano)

  3. Mas ele nasceu dia 25 de fevereiro de 1943… não seria amanhã?

  4. Mariana Alves de Araújo

    Querido George,
    EU QUERO TE DIZER que ALGUMA COISA está faltando. PENSE POR VOCÊ MESMO o que pode ser.
    DIGA-ME O QUE VOCÊ VÊ: PARA SUA TRISTEZA, ainda temos HOMENS DOS IMPOSTOS que cobram desde a rua onde passamos até nossos pés. As pessoas ainda são individualistas, só pensam: “EU, DEPOIS EU” e dizem “NÃO ME AMOLE”. Tratam uns aos outros como um VELHO SAPATO MARRON, como PORCOS na lama.
    Se você estivesse aqui, sei que diria que TUDO DEVE PASSAR, que os tempos de inverno acabarão e que LÁ VEM O SOL. Talvez até nos presenteasse com uma TRUFA DE SAVOIA, para adoçar m pouco a vida.
    EU PRECISO DE VOCÊ, na verdade, todos nós precisamos. As coisas eram mais simples COM VOCÊ, SEM VOCÊ ficaram mais complicadas, garanto.
    Você acha que QUANDO ERAM FAB FOUR as coisas eram difíceis? Ah! Hoje seriam SOMENTE UMA CANÇÃO DO NORTE. É DEMAIS saber que mesmo com pessoas como você o mundo parece estar igualzinho antes.
    ENQUANTO MINHA GUITARRA GENTILMENTE CHORA, passo, VOANDO, pela RUA DO TAGARELA TRISTE, CHORANDO PELA ESCURIDÃO.
    SE EU PRECISASSE DE ALGUÉM para resolver tudo isso, e nós precisamos, chamaríamos vocês e mais quem quisesse para ajudar. VOU TE AMAR, vamos sempre te amar.
    Mas, como nem tudo tem volta, quero dizer que sentimos sua falta, e que agora, já estamos vendo o sol brilhar, só de ver sua FOTOGRAFIA.
    Love and Peace,
    Mariana

  5. Onde encontrar o registro dessa informação ? ( só ouvir, ou ler, de alguém não vale. ) Em qual biografia consta essa informação ?

  6. Por que moderação ? Só quero saber em que livro consta essa informaçào.

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