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White Álbum – O “início do fim” em uma mistura de sentimentos

Após toda a loucura psicodélica de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, os Beatles mais uma vez conseguiam extrapolar seus próprios limites. Em meio a todos os acontecimentos de 1968, a banda ressurge com seu trabalho mais eclético, conseguindo unir dois extremos: Ser o melhor grupo musical e ao mesmo tempo, uma banda popular.

 Após a temporada na Índia, onde os Beatles conheceram a meditação transcendental aplicada pelo guru Maharishi e se aproximaram mais da cultura oriental, a quantidade de composições era enorme. Os Beatles tiveram a ideia então, de lançá-las em um disco duplo; contrariando George Martin, que pensava em um disco simples, com o que havia de melhor entre aquelas composições.

Além do adeus à fase psicodélica, o disco marca também o que podemos chamar de “início do fim” dos Beatles. A disputa pela liderança criativa transforma o disco no mais diversificado da obra da banda, onde cada um deles pôde desenvolver sua identidade própria, mostrando sua independência criativa. Talvez por isso mesmo, seja considerado um dos melhores discos da história e também um dos trabalhos mais polêmicos do grupo.

Início de tudo: Rishikesh, Índia

Os Beatles estavam conhecendo a meditação transcendental, através dos ensinamentos do guru Maharishi Mahesh Yogi e era muito natural que toda a tranqüilidade e descanso do retiro trouxesse inspiração para compor. O final desse retiro espiritual é que não foi tão tranqüilo como esperavam. Ringo foi o primeiro a partir, por não se adaptar à comida local, seguido de Paul McCartney. George e John ainda permaneceram por mais alguns dias, mas partiram após uma confusão gerada por boatos que acusavam Maharishi de estar assediando a atriz Mia Farrow, que estava junto ao grupo. Na verdade, o responsável pelo boato foi Alexis Mardas, conhecido como “Magic Alex”, que era amigo de John Lennon e estava com ciúmes do poder que o guru exercia sobre os Beatles. Na ocasião, John ficou completamente decepcionado e decidiu voltar para casa. No caminho, começou a cantarolar algumas frases inspiradas na sua frustração. Essas frases serviram de ponto de partida para a canção “Sexy Sadie”, que fala de alguém que enganou a todos e quebrou todas as regras. Foi a última canção composta na Índia, já que eles estavam voltando para Londres. Anos mais tarde, a própria Mia Farrow disse em entrevista que talvez todos tenham interpretado mal as atitudes de Mararishi.

Já em Londres…

A banda se reuniu na casa de George Harrison em Esher, com todo o material composto na Índia e gravaram um esboço do que viria a ser o futuro disco. Esse esboço hoje é o conhecido disco pirata “The Esher Demos” ou “Acoustic Masterpieces”. Esse material contava com aproximadamente 40 canções e algumas delas foram descartadas para o disco, mas usadas nos discos seguintes, como “Mean Mr. Mustard” e “Polythene Pam”. Outras foram usadas ainda mais tarde, como é o caso de “Child of Nature”, que virou “Jealous Guy”, do disco “Imagine” de John Lennon e “Jubille” que se tornou “Junk”, do primeiro disco solo de Paul McCartney.

Em 30 de maio de1968, abanda inicia as sessões do novo disco e começam a surgir as primeiras desavenças, que aos poucos tornaria insuportável a convivência do grupo.

Apesar de muito produtivas, as sessões de estúdio eram completamente desorganizadas. A banda precisava conciliar seu tempo entre as gravações nos estúdios Abbey Road e no Trident Studios, com os trabalhos da nova empresa, a Apple Corps; já que após a morte do empresário Brian Epstein, os Beatles decidiram tomar conta dos negócios; o que desgastou muito a convivência do grupo. Foi nesse clima que surgiu a presença da nova namorada de John Lennon, a artista plástica Yoko Ono; gerando ainda mais tensão entre a banda. Jamais alguém de fora havia permanecido entre eles nos estúdios e aquela situação se tornava ainda mais difícil para todos, gerando ainda mais discussões. Alheio a tudo isso, John Lennon passava por um intenso período de criatividade, ao lado de Yoko.

O ambiente de trabalho já estava completamente deteriorado. As discussões constantes, a falta de entendimento e o interesse de cada um por coisas diferentes, desfocavam completamente as qualidades do grupo. Em 22 de agosto, Ringo deixa os estúdios, por não suportar mais o clima entre a banda e a demora nas gravações. Duas semanas depois, a banda convence o baterista a voltar ao estúdio e é recebido com flores espalhadas pela bateria. Durante o tempo em que Ringo esteve ausente, Paul McCartney tocou bateria. Algum tempo depois, George Martin comentou que já não era mais possível trabalhar com os Beatles, devido à mudança na relação entre eles. Em uma das sessões de “Helter Skelter”, foi a vez de George Harrison sair dos estúdios completamente irritado, como já havia acontecido também durante as sessões de “While my guitar gently weeps”. George estava frustrado como descaso de Paul e John, que estavam tocando sem vontade. O clima não permitia nem que George tivesse inspiração para gravar a sua música. No dia seguinte, Harrison aparece com Eric Clapton, convidado para tocar a guitarra solo. A presença de Clapton nos estúdios amenizou a situação e todos levaram a sério a gravação; produzindo assim, uma das mais lindas canções dos Beatles.

Outros músicos participaram das gravações. Nicky Hopkins foi quem tocou piano em “Revolution1”. O violino de “Don’t Pass Me By” foi gravado por Jack Fallon. “Good Night”contou com uma orquestra e com vocais de apoio. Em  “Savoy Truffle” alguns músicos de estúdio fizeram as sessões de sopro. Nenhuma dessas participações consta nos créditos do disco.

As canções revelam o isolamento de cada um deles, dentro de seu próprio estilo musical. Como John Lennon comentou anos mais tarde, as sessões eram muito individualistas. Grande parte das canções de Paul McCartney foi gravada somente por ele, enquanto os outros estavam em outro estúdio produzindo outras canções. O disco mostra um misto de amor, rebeldia, ódio, tensões, calma e poesia, em 30 faixas de uma inspiração “crua”, sem truques de estúdio ou arranjos complexos, como vemos a seguir:

Disco 1

 Back In The USSR – (Lennon/McCartney)
Gravação: 22 e 23 de agosto de 1968

Composição de Paul, que além de cantar, toca piano, guitarra e também bateria; já que na ocasião, Ringo havia se desentendido com o grupo e deixado os estúdios. A música segue uma linha surf music, bem no estilo dos Beach Boys, mas fazendo uma paródia de “Back in the U.S.A.” de Chuck Berry. John e George tocam contra-baixo e ajudam nos backing vocals.

Dear Prudence – (Lennon/McCartney)
Gravação: 28, 29 e 30 de agosto de 1968

Música que John compôs para Prudence Farrow, irmã da atriz Mia Farrow. Enquanto estavam na Índia, Prudence não saía do quarto e John fez a canção chamando ela para se aproximar mais do grupo. Paul novamente toca bateria, além do contra-baixo.

 Glass Onion – (Lennon/McCartney)
Gravação: 11, 12, 13 de setembro e10 de outubro de 1968

Composição de John, brincando com as pessoas que ficavam procurando mensagens subliminares nas músicas dos Beatles. Várias canções dos Beatles são citadas, além da frase “Walrus was Paul”. Aqui, Ringo já havia voltado ao grupo.

 Ob-La-Di, Ob-La-Da – (Lennon/McCartney)
Gravação: 03, 04, 05, 08, 09, 11 e 15 de julho de 1968

A canção de Paul McCartney esgotou os outros três Beatles. Aproximadamente 60 takes foram feitos, incluindo uma versão que aparece no disco Anthology3. Agravação feita pelo grupo Marmelade chegou ao 1º lugar nas paradas.

Wild Honey Pie – (Lennon/McCartney)
Gravação: 20 de agosto de 1968

Composição de Paul, que toca todos os instrumentos. A “música” serve de link para a próxima faixa e dizem que só entrou no disco porque Pattie Boyd, esposa de George Harrison, a achava “bonitinha”.

The Continuing Story Of Bungalow Bill – (Lennon/McCartney)
Gravação: 08 de outubro de 1968

A canção de John conta com a participação de Yoko, Pattie Boyd e Maureen Cox na vocalização. Yoko é quem canta a frase “Not when he looked so fierce” e o mellotron é tocado por Chris Thomas. O solo de violão que aparece na introdução foi tirado de uma fita dos arquivos da gravadora.

While My Guitar Gently Weeps – (Harrison)
Gravação: 05 e 06 de setembro de 1968

Uma das mais belas canções de George Harrison, que conta com o apoio de seu amigo Eric Clapton na guitarra solo. A canção ainda aparece no disco Anthology 3, em uma versão acústica, que havia sido gravada anteriormente. Após a gravação, Eric Clapton presenteia George Harrison com a guitarra usada no solo.

Happiness Is A Warm Gun – (Lennon/McCartney)
Gravação: 24 e 25 de setembro de 1968

A composição de John talvez seja a mais complexa dos Beatles, em termos rítmicos. Seu título “Felicidade é uma arma quente” foi inspirado no anúncio de uma capa de revista. A canção tem forte apelo sexual, refletindo o auge do romance entre John e Yoko.

Martha My Dear – (Lennon/McCartney)
Gravação: 04 e 05 de outubro de 1968

Canção de Paul para sua cadela sheepdog. Os sopros e cordas foram gravados por músicos contratados. Paul, além de cantar, toca piano. George toca contra-baixo e John toca guitarra.

I’m So Tired – (Lennon/McCartney)
Gravação: 08 de outubro de 1968

John compôs a canção na Índia, quando estava cansado de meditar. A letra parece uma continuação de “’I´m Only Sleeping”. E a 2ª voz de Paul McCartney dá um charme a mais à canção.

Blackbird – (Lennon/McCartney)
Gravação: 11 de junho de 1968

Belíssima canção de Paul, que canta e toca violão.

Piggies – (Harrison)
Gravação: 19, 20 de setembro e 10 de outubro de 1968

Canção de George inspirada no livro “A Revolução dos Bichos”. A letra é uma crítica social e sua gravação contou com vários efeitos, como a alteração da voz de George e os grunhidos de porcos (feitos por John). O cravo é tocado por Chris Thomas.

Rocky Raccoon – (Lennon/McCartney)
Gravação: 15 de agosto de 1968

Composição de Paul, que além de cantar, toca violão. John toca a harmônica, George toca contra-baixo e George Martin toca o piano ao estilo dos salões do velho oeste.

Don’t Pass Me By (Starkey)
Gravação: 30 de agosto de 1968

Primeira canção creditada somente a Ringo, que além de cantar, toca piano e bateria.

O violino foi tocado por um músico de estúdio.

Why Don’t We Do It In The Road – (Lennon/McCartney)
Gravação: 09 e 10 de outubro de 1968

Outra de Paul, que toca e canta. A canção é bem curta e contém apenas duas frases.

I Will – (Lennon/McCartney)
Gravação: 16 e 17 de setembro de 1968

Uma das mais belas canções ao estilo de Paul McCartney. Composta para Linda Eastman, que mais tarde se casaria com Paul. É ele quem canta, toca violão e faz o baixo com a boca!

 Julia – (Lennon/McCartney)
Gravação: 03 de outubro de 1968

Composição de Lennon, que canta e toca sozinho na gravação. A canção foi feita em homenagem à sua mãe.

 Disco 2

Birthday – (Lennon/McCartney)
Gravação: 18 de setembro de 1968

Uma das últimas músicas que John e Paul escreveram juntos. Após assistirem ao filme “The Girl Can’t Help It”, foram para o estúdio de gravação e fizeram a parte instrumental. Depois inseriram o coro que conta com a participação de Pattie Boyd e Yoko Ono.

Yer Blues – (Lennon/McCartney)
Gravação: 13, 14 e 20 de agosto de 1968

Típica composição de John. Curiosamente, há uma voz que aparece ao fundo durante quase toda música, cantando algo diferente. Trata-se de um vazamento de som, captado durante a gravação, por um dos microfones da bateria. No mesmo ano, John Lennon tocou a canção no especial “Rock and Roll Circus”, dos Rolling Stones. Com Eric Clapton, Keith Richards e Mitch Mitchell, formou o grupo “The Dirty Mac”, criado especialmente para o show. No ano seguinte, John tocou Yer Blues novamente acompanhado de Eric Clapton, no Festival de Toronto.

Mother Nature’s Son – (Lennon/McCartney)
Gravação: 09 e 20 de agosto de 1968

Paul compôs essa canção na Índia. Ele canta e toca violão e os sopros foram gravados por músicos de estúdio.

Everybody’s Got Something To Hide Except Me And My Monkey – (Lennon/McCartney)
Gravação: 26, 27 de junho, 01 e 23 de julho de 1968

Composição de John, inspirada nas palestras do guru Maharishi. O título original seria “Come on, Come on”, mas em seguida, John preferiu um novo título. Outras histórias dizem que a música também havia sido inspirada em um desenho de John com um macaco que tinha o rosto da Yoko.

Sexy Sadie – (Lennon/McCartney)
Gravação: 13 e 21 de agosto de 1968

Escrita por John, falando da frustração que sentia, após as suspeitas de que Maharishi estivesse assediando Mia Farrow. Enquanto John arrumava suas coisas pra voltar pra Londres, começou a cantar: “Maharishi, what have you done. You made a fool of everyone”; mas seguindo os conselhos de George Harrison, tirou o nome do guru e colocou “Sexy Sadie”. Boa parte da música foi editada e John trocou “he” por “she”, pra dar a ideia de que se tratava de uma mulher.

Helter Skelter – (Lennon/McCartney)
Gravação: 09 e 10 de setembro de 1968

Composição de Paul, experimentando gravar a canção mais barulhenta e pesada que ele pudesse fazer. Algumas pessoas garantem que existe uma versão de 27 minutos, mas nada é comprovado. No final da música, Ringo grita “’I´ve got blisters on my fingers”, mas na versão mono isso não aparece. Há ainda uma versão mais lenta e arrastada, lançada no Anthology 3.

 Long Long Long – (Harrison)
Gravação: 07, 08 e 09 de outubro de 1968

Composição de George. John não participa da gravação.

Revolution 1 – (Lennon/McCartney)
Gravação: 30, 31 de maio, 04 e 21 de junho de 1968

Composição de John que retrata a inquietação da juventude dos anos 60. Foi gravada antes da versão mais rápida e mais pesada e por isso se chamaria apenas “Revolution”, mas a outra versão foi lançada antes, no single com “Hey Jude”. Então acrescentaram o “1”ao título.

Honey Pie – (Lennon/McCartney)
Gravação: 01, 02 e 04 de outubro de 1968

Outra bela composição de Paul, que além de cantar, toca piano.

Savoy Truffle – (Harrison)
Gravação: 03, 05, 11 e 14 de outubro de 1968

Música de George, inspirado no vício que Eric Clapton tinha por doces. O título da canção é uma marca de chocolates. Uma pequena orquestra de sopros foi contratada para a gravação.

Cry Baby Cry – (Lennon/McCartney)
Gravação: 16 e 18 de julho de 1968

Composição de John, que canta e toca violão. A canção foi baseada nas histórias que ele ouvia quando era criança. No final da música, Paul aparece cantando “Can you take me back”.

Revolution 9 – (Lennon/McCartney)
Gravação: 30, 31 de maio, 04, 06, 10, 11, 20 e 21 de junho de 1968

A colagem de sons foi ideia de John Lennon. Com certeza, é a faixa mais polêmica da história dos Beatles. Muitas pessoas procuram mensagens subliminares na gravação que conta com uma voz repetindo “Number nine… Number nine..” em meio a gritos, gemidos, sons de TV, estouros, etc. Essas colagens de sons eram muito comuns na época. Paul McCartney costumava fazer esse tipo de brincadeira para enviar aos amigos. Para produzir a mistura de sons, foram ligados vários gravadores com fitas já pré-mixadas. Só Paul McCartney não participou da gravação.

Good Night – (Lennon/McCartney)
Gravação: 28 de junho, 02 e 22 de julho de 1968

A canção de ninar foi escrita por John Lennon para seu filho Julian. Eles acharam que ficaria melhor na voz de Ringo e só ele participa da gravação, acompanhado por uma orquestra. John Lennon acompanhou todo o processo nos estúdios.

George Martin era contra o lançamento de um álbum duplo. Ele tentou convencê-los de que o ideal seria um disco simples, com o que havia de melhor daquelas sessões de gravação, lançando um álbum mais forte; mas a banda insistiu em lançar o disco duplo, com toda a diversidade de estilo que havia ali. Assim, em 22 de novembro de 1968, era lançado oficialmente o primeiro disco da banda pela Apple, a nova empresa dos Beatles. Foi também o último disco lançado em mixagem mono e estéreo. Nos Estados Unidos, os discos já eram lançados somente em estéreo; por isso, a versão mono só foi lançada na Inglaterra. Nenhuma das 30 canções do disco foi lançada em compacto na época. Durante as sessões, os Beatles gravaram “Hey Jude”, para lançarem em single. Seu lado B, “Revolution”, é uma versão alternativa de “Revolution1”, que John pensava em lançar em compacto, mas a banda achava que era muito lenta. Por isso fizeram a nova versão, mas pesada e cheia de distorções.

Contrastando com todo o colorido de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (Lembre-se que o album “Magical Mystery Tour” havia sido lançado somente nos Estados Unidos e não fazia parte do catálogo oficial da banda), a capa do novo disco era totalmente branca, escrito apenas “The BEATLES” em alto relevo, na mesma cor e com um número de série. Richard Hamilton foi o artista responsável pela arte. Reza a lenda que, na época em que estavam em meditação, Paul McCartney pensava em chamar o disco de “Umbrella”, mas a ideia foi descartada. Depois pensaram em chamá-lo de “A Doll’s House”, mas uma outra banda já havia lançado um disco com nome parecido. Decidiram então lançá-lo desse jeito que conhecemos. Uma capa totalmente branca e suave, batendo de frente com a diversidade sonora que havia ali. Por isso, depois de um tempo, os próprios fãs passaram a chamar o disco de “White Álbum” ou “Álbum Branco”. Dentro do álbum, o encarte trazia um pôster com colagens de letras e diversas fotos. Esse trabalho de arte despertou a curiosidade dos fãs, que sem entender o motivo daquela capa toda branca e das fotos do encarte, ficavam procurando mensagens ocultas. Em 1987, quando o catálogo dos Beatles foi digitalizado, passando para CD, o número de série foi retirado da capa.

Apenas cinco dias após seu lançamento, o Álbum Branco já era 1º lugar nas paradas, sendo o 1º álbum duplo a alcançar este posto. Uma semana depois, o disco já havia vendido mais de 2 milhões de cópias só nos Estados Unidos e essa marca levou o álbum ao Guiness Book. Segundo dados atualizados da Associação da Indústria de Discos da América, o White Álbum tem 19 discos de platina e é o décimo disco mais vendido nos Estados Unidos. Além disso, ele está na lista dos 200 álbuns definitivos do Rock and Roll Hall of Fame.

Em 1969, o assassino Charles Manson, mentor intelectual do homicídio da atriz Sharon Tate, usa o Álbum Branco para justificar a série de assassinatos cometidos por ele e seu bando. Na chacina, o sangue das vítimas era usado para escrever o nome de algumas músicas, como “Helter Skelter”, “Piggies” e “Blackbird”. Ele dizia que as músicas deste disco prometiam o apocalipse e uma grande guerra racial. Um álbum que retrata tão bem as inquietações e transformações culturais dos anos 60 serviu apenas de “bode expiatório” para um louco declarar seu ódio pela sociedade. A história é relatada no filme “Helter Skelter”.

Não é exagero apontar o White Album como um dos maiores símbolos da cultura dos anos 60. Apesar disso, o disco não se torna vítima do tempo. É atual ainda hoje e por muitos anos ainda será o símbolo da juventude que carrega consigo momentos de frustração, sossego, ousadia, angústia e esperança.

Na ocasião do lançamento do disco, o jornal britânico “The Observer” fez a seguinte declaração: “Se ainda havia alguma dúvida de que John Lennon e Paul McCartney são os maiores compositores desde Schubert, este álbum certamente deve varrer os últimos vestígios de esnobismo e preconceito”.

Por Edcarlos da Silva

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33 Respostas para “White Álbum – O “início do fim” em uma mistura de sentimentos

  1. Muito bom, adoro esse álbum.

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  8. Regina Carvalho

    Edcarlos, tá legal, mas posso sugerir? Que tal acrescentar lá em Blackbird, que a música foi composta pensando nos conflitos raciais contra os negros, especialmente nos EUA, culminando com o assassinato de Martin Luther King? E por que Revolution 9 e não 1, 2 ou 3 ou qq outro nº? O 9 é o número auspicioso na India….são 9 as expressões faciais, representando as emoções humanas, nas danças e teatro clássico indianos…9 é o nº da estrada principal q corta a India (+ de 800km!)…9 itens (passos) em certos rituais… O “number nine” repetido mtas vezes, exatamente como um Mantra…às vzs ele some pq a mente divaga e de repente, ele, o Mantra retorna, trazendo a mente de volta ao foco…MMT. Abraços!

    • Olá, Regina. Como já comentei com você, esse texto trata-se de uma publicação da Rolling Stone (o link está sendo citado no rodapé da matéria). Portanto, não cabe edição.

  9. Regina Carvalho

    Pois é, Edcarlos…eu não tinha notado. Aí, não cabe. Bem, mas ficam as informações aí no site, caso alguém se interesse em ler os comentários. Abraços!

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  12. Meu disco preferido de todos os tempos. Pra mim é o disco onde os Beatles puderam ser eles mesmos, pela primeira vez, sem imposições nem seguir modismos. Eu também escrevi sobre ele (é mais um comentário, sem tanta riqueza de detalhes.. http://www.dentrodocoletivo.blogspot.com.br/2012/09/o-luto-no-oriente-e-branco_24.html )

  13. “Depois pensaram em chamá-lo de A Doll’s House, mas uma outra banda já havia lançado um disco com nome parecido.” Esse trecho se refere a o Music In a Doll’s House do Family, que é uma banda fenomenal. Já gostava muito do Álbum Branco antes, e por causa dele eu pude conhecê-los, logo é mais um motivo para gostar ainda mais.

  14. Felipe Oliveira

    Gostei muito do texto, mas acho que faltou explicar mais algumas canções, como Long, Long, Long, que é simplesmente fantástica.

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  27. Álbum soberbo, ouço-o com muita inquietação, mexe com quem ouve
    muitas sensações ele remete

    É uma das grandes produções na história da Música

  28. Pingback: 12 de Abril no dia-a-dia dos Beatles | The Beatles College

  29. “Yer Blues” deve ter sido o único blues que os Beatles gravaram num disco oficial, correto?
    Perfeita visão sobre o Álbum Branco, ED! Parabéns!

  30. Extrema Direita

    Beatles é a banda mais superestimada do mundo. Eles eram limitados e comerciais demais. Bandinha pop e comercial.

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