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Lizzie Bravo: do Rio de Janeiro a Abbey Road

Essa é a trajetória da brasileira que gravou com os Beatles. Nessa entrevista, ela conta a sua história, desde o Rio de Janeiro, até o dia em que seu nome entrou para a história da beatlemania.

Por Tamires Paulino

Elisabeth Villas Boas Bravo nasceu no Rio de Janeiro em 29 de maio de 1951.  Beatlemaníaca, pediu aos pais uma viagem para Londres para que pudesse ver seus ídolos de perto. Ela achava que isso jamais daria certo, mas, os pais aceitaram e então, com 15 anos, Lizzie Bravo, como ela mesma se apelidou após ouvir a música Dizzy Miss Lizzy dos Beatles,  fez a sua tão sonhada viagem. O dia era 14 de fevereiro de 1967, o dia que marcava a sua chegada e seu primeiro encontro com eles, já que, assim que chegou ao seu destino, ela correu para a porta dos estúdios da EMI, gravadora dos Beatles, e conseguiu encontrá-los.

A partir dessa data, ela iria todos os dias aos estúdios de Abbey Road encontrar os Fab4. Conheceu diversos fãs, pessoas da história Beatle, entre muitas outras coisas. E é sobre isso que ela fala na entrevista abaixo.

Como foi que os Beatles entraram em sua vida?

Foi quando meu pai trouxe o LP “Meet The Beatles” dos Estados Unidos pra mim.  Mas o impacto mesmo foi ver o filme “A Hard Day’s Night” nos cinemas. Foi aí que comecei a gostar deles de verdade.

E de que forma surgiu a idéia de viajar para Londres para vê-los?

Eles pararam de fazer turnês e minha amiga Denise e eu tínhamos que vê-los de alguma maneira. Então, ela arquitetou um plano: pediríamos a nossos pais uma viagem a Londres de presente pelos nossos 15 anos. Eu embarquei na idéia dela, mesmo achando, a princípio, que não daria certo. Em algum momento, eu decidi que não voltaria ao Brasil, mas resolvi não contar aos meus pais por motivos óbvios.

Descreva o seu primeiro encontro com eles.

Foi logo no primeiro dia. Eles estavam saindo dos estúdios EMI em Abbey Road e o primeiro que vi foi John, meu favorito.

Como era ficar na porta dos estúdios? Você era maltratada pelas outras fãs ou foi bem recebida?

As condições eram precárias… Não tinha marquise, então ficávamos ao relento. Eu cheguei no inverno, chovia muito, nevava, ventava. Não tinha nada aberto depois de certo horário, então não podíamos comprar nada para comer ou ir ao banheiro. Em relação às outras fãs, elas me receberam bem. Ao longo do tempo, aconteceram algumas desavenças, mas nada muito sério, só brigas de adolescente. Ser do Brasil naquela época era como ser um E.T

John Lennon e Lizzie

Você via personalidades da Beatle-história diariamente, pessoas como Brian Epstein (empresário dos Beatles), George Martin (produtor), Mal Evans (empresário de turnês) e Neil Aspinall (assistente). Você se lembra de alguma história envolvendo eles?

Nós focávamos muito nos Beatles e com isso, não prestávamos muita atenção nas outras pessoas. Víamos muito Mal e Neil… Lembro-me que Mal era muito comunicativo e brincalhão.

E as Beatle-girls, Pattie, Jane, Linda, Yoko, Cynthia e Maureen? Alguma lembrança delas?

Nós conversávamos muito com as mulheres deles para perguntar como eles estavam, os filhos… Todas eram muito gentis e nos atendiam na medida do possível. As outras fãs as xingavam de tudo quanto é nome, ciúmes de adolescente.

Você pode nos contar como foi a ocasião em que participou da gravação de “Across The Universe”?

Era fim de semana e eles não costumavam gravar nesses dias. Tinham poucas meninas esperando por eles, então, o porteiro da EMI deixou que nós esperássemos no corredor, entre a porta de entrada dos estúdios e uma porta de vidro. Estávamos lá, conversando, quando Paul (McCartney) veio, abriu a porta de vidro e perguntou se alguma de nós conseguia sustentar uma nota aguda. Eu imediatamente respondi que conseguia, mesmo sem saber o porque da pergunta. Sempre cantei no coral da escola, era soprano, então a resposta saiu naturalmente. Paul disse que já voltava, foi lá dentro e após um tempo eu entrei. Não consigo me lembrar se ele veio me buscar ou alguém dos estúdios me mandou entrar. Pouco depois, chamei minha amiga Gayleen que também cantava em coral de escola. Começamos a aprender a música com John e Paul. Depois de um tempo, Paul pediu licença e arrumou meu cabelo para colocar o fone. Eu cantei no mesmo microfone que o John e ele me explicou que o mesmo era direcional, então eu tinha que ficar perto dele. Passamos a música muitas vezes, gravamos muitas outras vezes, inclusive algumas delas só eu e Gayleen. Ficamos dentro dos estúdios mais ou menos 2 horas e meia, com os quatro Beatles, tudo ao vivo. O clima era muito bom, eles eram muito engraçados, rimos bastante. Tomamos chá com biscoitos, trazidos pelo Mal. Nós duas somos muito tímidas e nos comportamos bem, ficamos bem “normais”, estávamos acostumadas a vê-los todos os dias. Todos eles, incluindo George Martin, elogiaram nossa participação.

Você ainda mantém contato com Paul McCartney, Ringo Starr, ou alguém ligado a eles?

Não.

Você vai lançar um livro. Ele já tem nome e data de lançamento prevista?

Não tem nome definido. Na verdade, já teve vários. No momento se chama “Do Rio a Abbey Road”, mas pode mudar. Também não tem data de lançamento, mas sairá ano que vem, com certeza.

13 Respostas para “Lizzie Bravo: do Rio de Janeiro a Abbey Road

  1. A história da Lizzie é fantástica!

  2. Pretendo comprar o livro.

  3. Muito bom, Tami! Bjs

  4. Muito obrigada, Lizzie!
    Beijos.

  5. Olá , Lizzie, muito bom saber que aquele GRANDE MOMENTO SE TRANSFORMA EM UM HISTÓRICO REGISTRO!!! De que forma pderei encontrar e adquirir o seu MAGNÍFICO LIVRO ? tENHO DOIS EMAIL que são: lcforny1@gmail.com e lcforny2@gmail.com. Aguardarei contato! Sou também Beatlemaníaca e daquele momento desde HELP , DESENHOS COM BEATLES e …por aí. BJOS E SAUDAÇÕES !!!

  6. LIZZIE LANCA LOGO SEU LIVRO QUE EU NAO AGUENTO MAIS DE ANSIEDADE BEIJAO JUBA

  7. Pingback: Lizzie Bravo: “O Paul perguntava coisas do Brasil e ajudou-me nos trabalhos da escola” | The Beatles College

  8. Fiquei emocionado com a sua história, embora já soubesse que havia uma brasileira na vocalização de Across The Universe. Fantástico!!! Parabéns Lizzie!!! Abraço, Giggio.

  9. Pingback: Lizzie Bravo, a fã que deixou uma “gotinha de Brasil” na história dos Beatles | The Beatles College

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  12. Lizzie, apenas digo uma coisa:
    “super te admiro”

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